quinta-feira, 3 de julho de 2014

EPICENTRO 3

Vários amigos empreendedores sempre me perguntam sobre bons eventos da área, está aqui um evento que tem tudo para ser o melhor evento de 2014 do país! As últimas edições foram show e as ideias novas para 2014 vindos do TED e SXSW vão revolucionar o conceito de eventos no Brasil.

Eu vou, bora?!

Veja mais: http://www.catarse.me/pt/epicentro


Insights livro: Inteligência Emocional, Daniel Goleman



Inteligência Emocional, Daniel Goleman

A última década assistiu a uma explosão sem paralelos de estudos científicos da emoção. O mais sensacional são as visões do cérebro em funcionamento. Elas tomaram visível, pela primeira vez na história humana, o que sempre foi uma fonte de profundo mistério: exatamente como age essa intricada massa de células, quando pensamos, imaginamos e sonhamos. Essa inundação de dados neurobiológicos permite-nos entender mais claramente que nunca como os centros nervosos nos levam à ira ou às lágrimas, e, como partes mais antiga do cérebro, que nos incitam a fazer a guerra e o amor, são canalizadas para o melhor ou o pior.

O que podemos mudar para ajudar nossos filhos a se darem melhor na vida? Que fatores entram em jogo, por exemplo, quando pessoas de alto QI malogram e as de QI modesto se saem surpreendentemente bem? Eu diria que a diferença muitas vezes está nas aptidões aqui chamadas de inteligência emocional, que incluem autocontrole, zelo e persistência, e a capacidade de nos motivar a nós mesmos.

Parte Um, com as novas descobertas sobre arquitetura emocional do cérebro, que oferecem uma explicação daqueles momentos mais desconcertantes de nossas vidas, quando o sentimento esmaga toda racionalidade. A compreensão da interação das estruturas do cérebro, que comandam nossos momentos de ira e medo ou paixão e alegria, revelam muita coisa sobre como aprendemos os hábitos emocionais, que solapam nossas melhores intenções, e também o que podemos fazer para dominar nossos impulsos emocionais mais destrutivos, ou que já trazem em si sua própria derrota.
Mais importante ainda, os dados neurológicos sugerem uma janela de oportunidade para moldar os hábitos emocionais de nossos filhos.
            A parte Dois deste livro mostra como os dados neurológicos atuam sobre o instinto básico para viver chamado inteligência emocional: poder, por exemplo, conter o impulso emocional; ler os sentimentos mais íntimos de outrem; lidar tranqüilamente com relacionamentos como disse Aristóteles, a rara capacidade de "zangar-se com a pessoa certa na medida certa, na hora certa, pelo motivo certo, e da maneira certa".
Esse modelo ampliado do que significa ser "inteligente" põe as emoções no centro das aptidões para viver.
A Parte Três examina algumas diferenças fundamentais que faz essa aptidão: como esses talentos preservam nossos relacionamentos mais valiosos, ou como a ausência deles os corrói; como a forças de mercado que estão remodelando nossa vida profissional dão um valor sem precedentes à nossa inteligência emocional para o êxito no emprego e como as emoções nocivas põem tanto em risco nossa saúde física quanto fumar um cigarro atrás do outro, assim como o equilíbrio emocional nos ajuda a ajuda a proteger nossa saúde e bem-estar.
Nossa herança genética nos dota a cada um de uma série de pontos-chave que determinam nosso temperamento. Mas os circuitos cerebrais envolvidos são extraordinariamente maleáveis; temperamento não é destino. Como mostra Parte Quatro, as lições emocionais que aprendemos na infância, em casa e na escola, modelam circuitos emocionais, tornando-nos mais aptos ou inaptos nos fundamentos da inteligência emocional. Isso significa que a infância e adolescência são janelas críticas de oportunidade para determinar os hábitos emocionais básicos que irão governar nossas vidas.
A Parte Cinco examina que riscos aguardam aqueles que, ao chegarem à maturidade, não dominam o campo emocional como as deficiências em inteligência emocional ampliam a gama de riscos, desde a depressão ou uma vida de violência até os problemas com comida e o vício das drogas. E documenta como escolas pioneiras estão ensinando às crianças as aptidões emocionais e sociais que elas necessitam para manter a vida nos trilhos.
Talvez o dado individual mais perturbador deste livro venha de uma maciça pesquisa com pais e professores, revelando uma tendência mundial da geração atual de crianças a ser mais emocionalmente perturbada que a última: mais solitária e deprimida, mais revoltada e rebelde, mais nervosa e propensa à preocupar-se, mais impulsiva e agressiva.
Se há um remédio, acho que deve estar em como preparamos nossos jovens para a vida. No momento, deixamos a educação emocional de nossos filhos ao acaso, com conseqüências cada vez mais desastrosas. Uma das soluções é uma nova visão do que as escolas podem fazer para educar o aluno todo, juntando mente e coração na sala de aula. Nossa viagem termina com visitas a classes inovadoras, que visam a dar às crianças uma base dos fundamentos da inteligência emocional. Já antevejo um dia em que a educação incluirá como prática de rotina a instilação de aptidões humanas essenciais como autoconsciência, autocontrole e empatia, e das artes de ouvir, resolver conflitos e cooperar.
Em Ética a Nicômano, inquirição filosófica de Aristóteles sobre virtude, caráter e uma vida justa, seu desafio é controlar nossa vida emocional com inteligência. Nossas paixões, quando bem exercidas, têm sabedoria; orientam nosso pensamento, nossos valores, nossa sobrevivência. Mas podem facilmente cair em erro, e o fazem com demasiada freqüência. Como viu Aristóteles, o problema não está na emocionalidade, mas na adequação da emoção e sua manifestação.
A questão é: como podemos levar inteligência às nossas emoções, civilidade às nossas ruas e envolvimento à nossa vida comunitária?

PARTE UM - O CÉREBRO EMOCIOMAL

Para o melhor e o pior, a inteligência não dá em nada, quando as emoções dominam.

QUANDO AS PAIXÕES D0MINAM A RAZÃO
Foi uma tragédia de erros. Matilda Crabtree, 14 anos, apenas deu um susto no pai: saltou de dentro de um armário e gritou "Buu!", quando os pais voltavam, à uma da manhã, de uma visita a amigos. Mas Bobby Crabtree e a mulher achavam que Matilda estava em casa de amigas naquela noite. Ouvindo ruídos ao entrar em casa, Crabtree buscou sua pistola calibre 357 e foi ao quarto dela investigar. Quando a filha pulou do armário, ele Ihe deu um tiro no pescoço. Matilda Crabtree morreu doze horas depois.
Um legado emocional da evolução é o medo que nos mobiliza para proteger nossa família contra o perigo; esse impulso levou Crabtree a pegar a arma e vasculhar a casa em busca do intruso que pensava estar rondando por ali. O medo incitou-o a atirar antes de registrar perfeitamente no que atirava, mesmo antes de reconhecer a voz da filha.
Reações automáticas desse tipo gravaram-se em nosso sistema nervoso supõem os biólogos, porque, durante um longo e crucial período na pré-história humana, decidiam entre a sobrevivência e a morte Mais importante ainda, contavam para a principal tarefa da evolução: a capacidade de deixar uma progênie que passasse adiante essas mesmas predisposições genéticas uma triste ironia, em vista da tragédia na família Crabtree.
Mas, embora nossas emoções tenham sido sábias guias no longo percurso evolucionário, as novas realidades que a civilização apresenta surgiram com tanta rapidez que a lenta marcha da evolução não pode acompanhar. Na verdade, as primeiras leis e proclamações de ética - o Código de Hamurabi, os Dez Mandamentos dos hebreus, os Éditos do imperador Ashoka - podem ser interpretadas como tentativas de conter, subjugar e domesticar a vida emocional.
Como descreveu Freud em O Mal estar na Civilização, a sociedade teve de impor de fora regras destinadas a conter as ondas de excesso emocional que surgem demasiado livres de dentro. Apesar dessas pressões sociais, as paixões repetidas vezes esmagam a razão. Esse dado da natureza humana vem da arquitetura básica da vida mental. Em termos do plano biológico dos circuitos neurais básicos da emoção, aqueles com os quais nascemos são os que melhor funcionaram para as últimas 50.000 gerações humanas, não as últimas 50 - e certamente não as últimas cinco. As lentas e deliberadas forças da evolução que moldaram nossas emoções têm feito seu trabalho ao longo de um milhão de anos; os últimos 10.000 - apesar de terem assistido ao rápido surgimento da civilização humana e à explosão demográfica humana de cinco milhões para cinco bilhões - quase nada imprimiram em nossos gabaritos biológicos para a vida emocional.
Para melhor ou pior, nossa avaliação de cada encontro pessoal e nossas  respostas a ele são moldadas não apenas por nossos julgamentos racionais ou nossa história pessoal, mas também por nosso passado ancestral distante.
Em suma, com demasiada freqüência enfrentamos dilemas pós-modernos com um repertório talhado para as urgências do Pleistoceno. Todas as emoções são, em essência, impulsos para agir, planos instantâneos para lidar com a vida que a evolução nos infundiu.
Com novos métodos para perscrutar o corpo e o cérebro, os pesquisadores estão descobrindo mais detalhes fisiológicos de como cada emoção prepara o corpo para um tipo de resposta muito diferente:
· Com ira, o sangue flui para as mãos, tornando mais fácil pegar uma arma ou golpear um inimigo; os batimentos cardíacos aceleram-se, e uma onda de hormônios como a adrenalina gera uma pulsação, energia suficientemente forte para uma ação vigorosa.
· Com medo, o sangue vai para os músculos do esqueleto, como os das pernas, tornando mais fácil fugir e faz o rosto ficar lívido, uma vez que o sangue é desviado dele (criando a sensação de que "gela"). Ao mesmo tempo, o corpo imobiliza-se, ainda que por um momento, talvez dando tempo para avaliar-se se esconder não seria uma melhor reação.
Circuitos nos centros emocionais do cérebro disparam a torrente de hormônios que põe o corpo em alerta geral, tornando-o inquieto e pronto para agir, e a atenção se fixa na ameaça imediata, para melhor calcular a resposta a dar.
·Entre as principais mudanças biológicas na felicidade está uma maior atividade no centro cerebral que inibe os sentimentos negativos e favorece o aumento da energia existente, e silencia aqueles que geram pensamentos de preocupação.
Mas não ocorre nenhuma mudança particular na fisiologia, a não ser uma tranqüilidade, que faz o corpo recuperar-se mais depressa do estímulo de emoções perturbadoras. Essa configuração oferece ao corpo um repouso geral, assim como disposição e entusiasmo para qualquer tarefa imediata e para marchar rumo a uma grande variedade de metas.
- “Amor, sentimentos afetuosos e satisfação sexual implicam estimulação parassimpática - o oposto fisiológico da mobilização para ‘‘lutar-ou-fugir” partilhada pelo medo e a ira. O padrão parassimpático, chamado de "resposta de relaxamento” é um conjunto de reações em todo o corpo que gera um estado geral de calma e satisfação, facilitando a cooperação.
- O erguer das sobrancelhas na surpresa permite a adoção de uma varredura visual mais ampla, e também maior quantidade de luz a atingir a retina. Isso oferece mais informação sobre o fato inesperado, tornando mais fácil perceber exatamente o que está acontecendo e conceber o melhor plano de ação.
· Em todo o mundo, a expressão de repugnância parece a mesma e envia idêntica mensagem: alguma coisa desagrada ao gosto ou ao olfato, real o metaforicamente. A expressão facial de nojo - o lábio superior se retorce para o lado, e o nariz se enruga ligeiramente - sugere uma tentativa primordial, com observou Darvin, de tapar as narinas contra um odor nocivo ou cuspir fora uma comida estragada.
· Uma das principais funções da tristeza é ajudar a ajustar-se a uma perda significativa, como a morte de alguém ou uma decepção importante. A triste traz uma queda de energia e entusiasmo pelas atividades da vida, em particular, diversões e prazeres e, quando se aprofunda e se aproxima da depressão, reduz a velocidade metabólica do corpo. Esse retraimento introspectivo cria a oportunidade para lamentar uma perda ou uma esperança frustrada, captar suas consequências para a vida e, quando a energia retorna, planejar novos começos. Essa perda de energia bem pode ter mantido os seres humanos entristecidos dos e vulneráveis - perto de casa, onde estavam em maior segurança.

Num sentido muito verdadeiro, temos duas mentes, a que pensa e a que sente. Esses dois modos fundamentalmente diferentes de conhecimento interagem na construção de nossa vida mental. Um, a mente racional, é o modo de compreensão de que, tipicamente, temos consciência: mais destacado na consciência, mais atencioso, capaz de ponderar e refletir. Mas junto com esse existe outro sistema de conhecimento impulsivo e poderoso, embora às vezes ilógico a mente emocional.

COMO SURGIU O CÉREBRO

ANATOMIA DE UM SEQUESTRO EMOCIONAL
A vida é uma comédia para os que pensam e uma tragédia para os que sentem. - Horace Walpole

Nesses momentos, sugerem os indícios, um centro no cérebro límbico proclama uma emergência, recrutando o resto do cérebro para seu plano de urgência. O seqüestro ocorre num instante, disparando essa reação crucial momentos antes de o neocórtex, o cérebro pensante, ter tido uma oportunidade de ver tudo que está acontecendo, quanto mais de decidir se é uma boa idéia. A marca característica desse seqüestro é que assim que passa o momento, os
assim possuídos têm a sensação de não saber o que deu neles.

A SEDE DE TODA PAIXÃO
Nos seres humanos, a amígdala (da palavra grega para "amêndoa") é um feixe, em forma de amêndoa, de estruturas interligadas situado acima do tronco cerebral, perto da parte inferior do anel límbico. Há duas amígdalas, uma de cada da lado do cérebro, instaladas mais para o lado da cabeça. A amídala humana é relativamente grande, em comparação com a de qualquer dos nossos primos evolucionários mais próximos, os primatas.
O hipocampo e a amígdala eram duas partes-chave do primitivo "nariz cerebral" que, na evolução, deu origem ao córtex e depois ao neocórtex. Até hoje, essas estruturas límbicas são responsáveis por grande ou a maior parte do aprendizado e da memória do cérebro; a amígdala é a especialista em questões emocionais. Se for cortada do resto do cérebro, o resultado é uma impressionante incapacidade de avaliar o significado emocional dos fatos; esse mal é às vezes chamado de "cegueira afetiva".

A ARMADILHA NEURAL
Quando soa um alarme, digamos, de medo, ela envia mensagens urgentes a todas as partes principais do cérebro: dispara a secreção dos hormônios orgânicos para lutar ou fugir, mobiliza os centros de movimento e ativa o sistema cardiovascular,os músculos e os intestinos.
Outros circuitos da amígdala enviam sinais para a secreção de gotas de emergência do hormônio noradrenalina, para aumentar a reatividade das áreas cerebrais chave, incluindo as que tornam os sentidos mais alertas, na verdade deixando o cérebro no ponto.

A SENTINELA EMOCIONAL
Numa das descobertas mais impressionantes sobre emoções da última década o trabalho de LeDoux revelou que a arquitetura do cérebro dá à amígdala uma posição privilegiada como sentinela emocional, capaz de seqüestrar o cérebro.
Sua pesquisa mostrou que sinais sensoriais do olho ou ouvido viajam no cérebro primeiro para o tálamo, e depois - por uma única sinapse - para a amígdala; um segundo sinal do tálamo é encaminhado para o neocórtex - o cérebro pensante. Essa ramificação permite que a amígdala comece a responder antes do neocórtex, que rumina a informação em vários níveis dos circuitos cerebrais, antes de percebê-la plenamente e iniciar por fim sua resposta mais cuidadosamente talhada.

A amígdala pode abrigar lembranças e repertórios de respostas que interpretamos sem compreender bem por que o fazemos, por que o atalho do tálamo à amígdala contoma completamente o neocórtex. Essa passagem parece permitir que a amígdala seja um repositório de impressões emocionais e lembranças que jamais conhecemos em plena consciência.
Outra pesquisa demonstrou que, nos primeiros milésimos de segundo de nossa percepção de alguma coisa, não apenas compreendemos inconscientemente o que é, mas decidimos se gostamos ou não dela, o "inconsciente cognitivo" apresenta à nossa consciência não apenas a identidade do que vemos mas uma opinião sobre o que vemos.
Nossas emoções têm uma mente própria que pode ter opiniões bastante independentes de nossa mente racional.

A ESPECIALISTA EM MEMÓRIA EMOCIONAL
A principal contribuição do hipocampo está em fornecer uma precisa
memória de contexto, vital para o significado emocional; é o hipocampo que reconhece o significado de, digamos, um urso no zoológico ou em nosso quintal. Enquanto o hipocampo lembra os fatos puros, a amígdala retém o sabor emocional que os acompanha.
Se tentamos ultrapassar um carro numa estrada de mão dupla e por pouco escapamos de uma batida de frente, o hipocampo retém os detalhes específicos do incidente, como em que faixa da estrada estávamos, quem estava conosco, como era o outro carro. Mas é a amígdala que daí em diante enviará uma onda de ansiedade que nos percorre o corpo toda vez em que tentarmos ultrapassar um carro em circunstancias semelhantes.


è  O cérebro tem dois sistemas de memória, um para fatos comuns e outro para os emocionalmente te carregados.

ALARMES NEURAIS ANACRÔNICOS
Basta que poucos elementos esparsos da situação pareçam semelhantes a algum perigo do passado para que a amígdala dispare seu manifesto de emergência. O problema é que, junto com as lembranças emocionalmente carregadas que têm o poder de provocar essa reação de
crise, podem vir do mesmo modo formas obsoletas de respondê-la.

Um dos motivos pelos quais ficamos tão aturdidos com nossas explosões emocionais, portanto, é que elas muitas vezes remontam a um tempo inicial em nossas vidas, quando tudo era desconcertante e ainda
não tínhamos palavras para compreender os fatos. Podemos ter os sentimentos caóticos, mas não as palavras para as lembranças que os formaram.

QUANDO AS EMOÇÕES SÃO RÁPIDAS E SENTIMENTAIS
A amígdala reage num delírio de raiva ou medo antes de o córtex saber o que está acontecendo, porque essa emoção bruta é disparada independentemente do pensamento e o antecede.

O ADMINISTRADOR DAS EMOÇÕES
Quando uma emoção dispara, em poucos momentos os lobos pré-frontais efetuam o equivalente a um cálculo da proporção de risco/vantagem das miríades de reações possíveis e apostam que uma delas é melhor. Nos animais, quando atacar, quando fugir.
E quanto a nós humanos... quando atacar, quando fugir-e também quando apaziguar, persuadir, atrair simpatia, fechar-se em copas, provocar culpa, lamentar-se, assumir uma fachada de bravata, mostrar desprezo e assim por diante, correndo todo o repertório de ardis emocionais.

Supõe-se que os seqüestros emocionais envolvem duas dinâmicas: o disparo da amígdala e a não ativação dos processos neocorticais que em geral mantêm o equilíbrio da resposta emocional ou um recrutamento das zonas neocorticais para a urgência emocional. Nesses momentos, a mente racional é inundada pela emocional. Uma das maneiras de o neocórtex agir como eficiente administrador da emoção - avaliando as reações antes de agir - é amortecer os sinais para a ativação enviados pela amígdala e outros centros límbicos.
Os lobos pré-frontais direitos são um local de sentimentos negativos, como medo e agressão, enquanto os esquerdos refreiam essas emoções brutas, provavelmente inibindo o lobo direito.
O lobo pré-frontal esquerdo, em suma, parece fazer parte de um circuito neural que pode desligar, ou pelo menos amortecer, quase todos os impulsos negativos mais fortes da emoção. Se a amígdala muitas vezes age como um disparador de emergência, o lobo pré-frontal esquerdo parece fazer parte da chave de "desligar” a emoção perturbadora: a amígdala propõe, o lobo pré-frontal dispõe. Essas ligações pré-frontal límbicas são cruciais na vida mental muito além do simples refinamento da emoção; são essenciais para fazer-nos navegar em meio às decisões que mais contam na vida.

HARMONIZANDO EMOÇÃO E PENSAMENTO
Os neurocientistas usam o termo "memória funcional" para a capacidade de atenção que guarda na mente os fatos essenciais para concluir uma determinada tarefa ou problema.
O córtex pré-frontal é a região do cérebro responsável pela memória funcional. Mas os circuitos que vão do cérebro límbico aos lobos pré-frontais significam que os sinais de forte emoção ansiedade, ira e afins podem criar estática neural, sabotando a capacidade do lobo pré-frontal de manter a memória funcional. É por isso que, quando estamos emocionalmente Perturbados,
dizemos: "Simplesmente não consigo pensar direito" e porque a contínua perturbação emocional cria deficiências nas aptidões intelectuais da criança, mutilando a capacidade de aprender.
Num estudo, por exemplo, descobriu-se com esses testes que meninos de escola primária com contagens de QI acima da média, mas de fraco rendimento escolar, tinham uma deficiência no funcionamento do córtex frontal.
Também eram impulsivos e ansiosos, muitas vezes perturbadores e dados a meter-se em apuros - sugerindo um falho controle pré-frontal sobre os impulsos límbicos. Apesar de seu potencial intelectual, são essas crianças que correm maiores riscos de problemas como fracasso acadêmico, alcoolismo e criminalidade não por deficiência intelectual, mas porque o controle que têm sobre sua vida emocional é insuficiente. Esses pacientes "esqueceram" todas essas lições emocionais porque não têm mais acesso ao lugar onde elas estão armazenadas na amígdala.
Indicações como essa levam o Dr. Damasio à posição anti-intuitiva de que os sentimentos são tipicamente indispensáveis nas decisões racionais; põem-nos na direção certa, onde a lógica fria pode então ser de melhor uso. Enquanto o mundo muitas vezes nos põe diante de uma gama difícil de opções (Como investir a poupança da aposentadoria? Com quem se casar?), o aprendizado emocional que a vida nos deu (como a lembrança de um desastroso investimento ou uma separação dolorosa) nos envia sinais que facilitam a decisão, eliminando algumas opções e destacando outras no início. Assim, diz o Dr. Damasio, o cérebro emocional está tão envolvido no raciocínio quanto o cérebro pensante.
As emoções, portanto, contam para a racionalidade. Num certo sentido, temos dois cérebros, duas mentes e dois tipos diferentes de inteligência: racional e emocional. Nosso desempenho na vida é determinado pelas duas não é apenas o Ql, mas a inteligência emocional que conta. Na verdade, o intelecto não pode dar o melhor de si sem a inteligência emocional. Fazer isso bem em nossas vidas implica que precisamos primeiro entender com mais exatidão o que significa usar inteligentemente a emoção.

PARTE DOIS A NATUREZA DA INTELIGÊNCIA EMOCIONAL

QUANDO SER ESPERTO É SER BURRO

UM TIPO DIFERENTE DE INTELIGÊNCIA
Chegou a hora ele me disse de ampliar nossa idéia do espectro de talentos. A maior contribuição isolada que a educação pode dar ao desenvolvimento de uma criança é ajudá-la a encaminhar-se para um campo onde seus talentos se adaptem melhor, onde ela será feliz e competente. Perdemos isso inteiramente de vista. Em vez disso, sujeitamos todos a uma educação em que, se você for bem-sucedido, estará mais bem capacitado para ser professor universitário. E avaliamos todos, ao longo do percurso, segundo satisfazem ou não esse estreito padrão de sucesso. Devíamos gastar menos tempo classificando crianças e mais tempo ajudando-as a identificar suas aptidões e dons naturais e a cultivá-los.
Salovey inclui as inteligências pessoais de Gardner em sua definição básica de inteligência emocional, expandindo essas aptidões em cinco domínios principais:
1. Conhecer as próprias emoções. Autoconsciência - reconhecer Um senti mento quando ele ocorre é a pedra fundamental da inteligência emocional.
Como veremos no Capítulo 4, a capacidade de controlar sentimentos a cada momento é crucial para o discernimento emocional e a auto-compreensão. A incapacidade de observar nossos verdadeiros sentimentos nos deixa à mercê deles As pessoas de maior certeza sobre os próprios sentimentos são melhores pilotos de suas vidas, tendo um sentido mais preciso de como se sentem em relação a decisões pessoais, desde com quem se casar a que emprego aceitar.
2. Lidar com emoções. Lidar com os sentimentos para que sejam apropriados é uma aptidão que se desenvolve na autoconsciência. O Capítulo 5 vai examinar a capacidade de confortar-se, livrar-se da ansiedade, tristeza ou irritabilidade incapacitantes e as conseqüências do fracasso nessa aptidão emocional básica. As pessoas fracas nessa aptidão vivem constantemente combatendo sentimentos de desespero, enquanto as boas nisso se recuperam com muito mais rapidez dos reveses e perturbações da vida.
3. Motivar-se. Como mostrará o Capítulo 6, pôr as emoções a serviço de uma meta é essencial para prestar atenção, para a auto-motivação e a maestria, e para a criatividade. O autocontrole emocional adiar a satisfação e reprimir a impulsividade está por trás de todo tipo de realização. E a capacidade de entrar em estado de "fluxo" possibilita excepcionais desempenhos. AS pessoas que têm essa capacidade tendem a ter mais alta produtividade e eficácia em qualquer atividade que empreendam.
4. Reconhecer emoções nos outros. A empatia, outra capacidade que se desenvolve na autoconsciência emocional, é a "aptidão pessoal" fundamental. O Capítulo 7 investigará as raízes da empatia, o preço social da ausência de ouvido do emocional, e os motivos pelos quais a empatia gera altruísmo. As pessoas empáticas estão mais sintonizadas com os sutis sinais sociais que indicam de que os outros precisam ou o que querem. Isso as torna melhores em vocações como as profissões assistenciais, ensino, vendas e administração.
5. Lidar com relacionamentos. A arte dos relacionamentos é, em grande parte, a aptidão de lidar com as emoções dos outros. O Capítulo 8 examina a competência e incompetência, e as aptidões específicas envolvidas. São as aptidões que reforçam a popularidade, a liderança e a eficiência interpessoal. As pessoas excelentes nessas aptidões se dão bem em qualquer coisa que dependa de interagir tranqüilamente com os outros; são estrelas sociais.

CONHECE-TE A TI MESMO
Um guerreiro samurai, conta uma velha história japonesa, certa vez desafiou um mestre Zen a explicar o conceito de céu e inferno. Mas o monge respondeu-lhe com desprezo:
- Não passas de um rústico... não vou desperdiçar meu tempo com gente da tua laia!
Atacado na própria honra, o samurai teve um acesso de fúria e, sacando da bainha a espada, berrou:
- Eu poderia matar-te por tua impertinência.
- Isso, respondeu calmamente o monge, é o inferno.
Espantado por ver a verdade no que o mestre dizia da cólera que o dominara, o samurai acalmou-se, embainhou a espada e fez uma mesura, agradecendo ao monge a intuição.
- E isso - disse o monge - é o céu.
O súbito despertar do samurai para seu estado de agitação ilustra a crucial diferença entre alguém se ver presa de um sentimento e tomar consciência de que está sendo arrebatado por ele. A recomendação de Sócrates - "Conhece-te a ti mesmo" - dirige-se a essa pedra de toque de inteligência emocional: a consciência de nossos sentimentos quando eles ocorrem.

Eu prefiro o termo autoconsciência, no sentido de permanente atenção
a nossos estados interiores. Nessa consciência auto-reflexiva, a mente observa e investiga a própria experiência, incluindo as emoções. Reativa. Alguns psicanalistas a chamam de "ego observante".
Essa autoconsciência pareceria exigir um neocórtex ativado, sobretudo as áreas da linguagem, sintonizado para identificar e nomear as emoções despertadas. A autoconsciência não é uma atenção que se deixa levar pelas emoções, reagindo com exagero e amplificando o que se percebe. Ao contrário, é um modo neutro, que mantém a auto-reflexividade mesmo em meio a emoções turbulentas.
É a diferença entre, por exemplo, sentir uma fúria assassina contra alguém e ter o pensamento auto-reflexivo: "O que estou sentindo é raiva", mesmo quando se está furioso. Essa sutil mudança de atividade mental presumivelmente avisa que os circuitos neocorticais estão monitorando ativamente a emoção, primeiro passo para adquirir algum controle. Autoconsciência, em suma, significa estar "consciente ao mesmo tempo de nosso estado de espírito e de nossos pensamentos sobre esse estado de espírito".

· Autoconsciente. Consciente de seus estados de espírito no momento em que ocorrem, essas pessoas, compreensivelmente, têm uma certa sofisticação em relação a suas vidas emocionais. A clareza com que sentem suas emoções pode reforçar outros traços de personalidade: são autônomas e seguras de seus próprios limites, gozam de boa saúde psicológica e tendem a ter uma perspectiva positiva da vida. Quando entram num estado de espírito negativo, não ruminam nem ficam obcecadas com isso e podem sair dele mais cedo. Em suma, a vigilância delas ajuda-as a administrar suas emoções.
· Mergulhadas. São pessoas muitas vezes inundadas por suas emoções e incapazes de escapar delas, como se seus estados de espírito houvessem assumido o controle. São instáveis e não têm muita consciência dos próprios sentimentos, de modo que se perdem neles, em vez de ter alguma perspectiva.
Em conseqüência, pouco fazem para tentar escapar a esses estados de espírito negativos, achando que não têm controle sobre sua vida emocional. Muitas vezes se sentem esmagadas e emocionalmente descontroladas.
· Resignadas. Embora essas pessoas muitas vezes vejam com clareza o que estão fazendo, também tendem a aceitar seus estados de espírito e, portanto, não tentam mudá-los. Parece haver dois ramos do tipo resignado: os que estão geralmente em bons estados de espírito e por isso pouca motivação têm para mudá-lOs e os que, apesar de verem com clareza seus estados de espírito, são susceptíveis aos maus e os aceitam com uma atitude de laissez-faire, nada fazendo para mudá-los, apesar da aflição que sentem - um padrão encontrado entre, digamos, pessoas deprimidas que se resignam ao seu desespero.

OS APAIXONADOS E OS lNDIFERENTES

O HOMEM SEM SENTIMENTOS

EM LOUVOR DA INTUIÇÃO

Os inícios psicológicos de uma emoção ocorrem tipicamente antes que a pessoa esteja conscientemente a par do próprio sentimento. Assim, há dois níveis de emoção, consciente e inconsciente.

ESCRAVOS DA PAIXÃO

A ANATOMIA DA IRA

Benjamin Franklin pôs a coisa muito bem: "A ira jamais é sem motivo, embora raramente um bom motivo.

A ira se alimenta da ira.

A essa altura, a ira, não tolhida pela razão, facilmente explode em violência. Nesse ponto, as pessoas não perdoam e estão além do alcance da razão; seus pensamentos giram em tomo de vingança e represália, indiferentes às conseqüências.
Esse alto nível de excitação, diz Zillmann, "promove uma ilusão de poder e invulnerabilidade que inspira e facilita a agressão", à medida que a pessoa irada, sem orientação cognitiva, recai na mais primitiva das reações. O surto límbico está em ascensão; as mais cruas lições da brutalidade da vida tomam-se guias para a ação.

A catarse dar vazão à raiva é às vezes louvada como um meio de controlar a ira. A teoria popular diz que "faz a gente se sentir melhor": Mas, como sugerem as constatações de Zillmann, há um argumento contra a catarse. Tem sido usado desde a década de 50 quando psicólogos começaram a testar experimentalmente os efeitos da catarse e, repetidas vezes, descobriram que dar vazão à ira pouco ou nada fazia para eliminá-la (embora, devido à natureza sedutora do sentimento, possa dar a sensação de satisfação). Pode haver uma condição específica na qual soltar a raiva funcione: quando ela é expressa diretamente à pessoa visada, quando devolve o senso de controle ou corrige uma injustiça, ou quando inflige o "dano certo" à outra pessoa e faz com que ela modifique alguma atividade ofensiva sem retaliar. Mas, devido à natureza incendiária da ira, isso pode ser mais fácil de dizer do que de fazer.
Diane Tice constatou que dar vazão à raiva é uma das piores maneiras de esfriar: as explosões de ira tipicamente inflam o estímulo do cérebro, deixando as pessoas mais iradas, não menos.
Chogyam Trungpa, um mestre tibetano, quando Ihe perguntaram como melhor controlar a ira:
- Não a elimine. Mas não aja com base nela.

ANSIEDADE TRANQUILIZANTE; COMO, EU, ME PREOCUPAR
Evidentemente, não há mal quando a preocupação funciona; meditando-se sobre um problema ou seja, empregando a reflexão construtiva, que pode parecer preocupação talvez surja a solução. Na verdade, a reação por trás da preocupação é a vigilância para detectar perigos potenciais, que sem dúvida tem sido essencial para a sobrevivência no curso da evolução.
O problema é com as preocupações crônicas, repetitivas, daquelas que se reciclam eternamente e jamais se aproximam de uma solução positiva. Uma análise cuidadosa da preocupação crônica sugere que ela tem todos os atributos de um seqüestro emocional de baixa intensidade: as preocupações parecem surgir do nada, são incontroláveis, geram um rumor constante de ansiedade, são imunes à razão e prendem o preocupado numa única e inflexível visão do tópico que o preocupa.

CONTROLE DA MELANCOLIA

LEVANTA MORAL
Diz uma teoria que o choro pode ser uma maneira natural de reduzir níveis de produtos químicos do cérebro que aumentam a angústia. Embora o choro possa às vezes romper um ataque de tristeza, também pode deixar a pessoa ainda mais obcecada com os motivos do desespero. A idéia de "um bom choro" é enganadora: o choro que prolonga a ruminação apenas prolonga a infelicidade.

REPRESSÕES: NEGAÇÕES OTIMISTAS
A teoria de Davidson é que, em termos de atividade do cérebro, experimentar realidades angustiantes sob um aspecto positivo é uma tarefa que exige energia.
Em suma, a imperturbabilidade é uma espécie de negação otimista, uma dissociação positiva - e, possivelmente, uma pista para mecanismos neurais em ação nos estados dissociativos mais severos que podem ocorrer em, digamos, um distúrbio de tensão pós-traumática.
Quando simplesmente envolvida em equanimidade, diz Davidson, "parece ser uma bem-sucedida estratégia de auto-regulação emocional", embora a um preço desconhecido em autoconsciência.

A Aptidão Mestra
A medida em que perturbações emocionais podem interferir com a vida mental não é novidade para os professores. Alunos ansiosos, zangados ou deprimidos não aprendem; pessoas colhidas nesses estados não absorvem eficientemente informação nem lidam bem com ela. Como vimos no Capítulo 5, emoções negativas poderosas distorcem a atenção para suas próprias preocupações, interferindo com a tentativa de concentração em outra parte.
Quando as emoções esmagam a concentração, o que está sendo esmagado é a capacidade mental cognitiva que os cientistas chamam de "memória funcional", a capacidade de ter em mente toda informação relevante para a tarefa imediata. O que parece distinguir os melhores nas competições de outros com capacidade mais ou menos semelhante é o grau em que, começando cedo na vida, podem seguir uma árdua rotina de exercício durante anos e anos.

CONTROLE DE IMPULSO: O TESTE DO MARSHMALOW
O que Walter Mischel, que fez o estudo, descreve com a expressão um tanto infeliz "auto-imposto adiamento de satisfação com vistas a uma meta" é talvez a essência da auto-regulação emocional: a capacidade de negar um impulso a serviço de uma meta, seja montar uma empresa, solucionar uma equação algébrica ou disputar a Copa Stanley. As constatações dele acentuam o papel da inteligência emocional como uma capacidade de atingir metas, determinando como as pessoas podem empregar bem ou mal suas outras capacidades mentais.

ESTADOS DE ESPÍRITO NEGATIVOS PENSAMENTOS CONFUSOS
Da mesma forma, um estado de espírito negativo desvia a memória para o lado negativo tomando mais provável que nos contraiamos numa decisão initorata excessivamente cautelosa. As emoções descontroladas impedem o intelecto. Mas, como vimos no Capítulo 5, podemos trazê-las de volta à ordem;
essa capacidade emocional é a aptidão mestra, facilitando todos os outros tipos de inteligência Vejamos alguns casos a propósito: as vantagens de esperança e otimismo, e os momentos sublimes em que as pessoas se superam.

A CAIXA DE PANDORA E POLYANNA: A FORÇA DO PENSAMENTO
Da perspectiva da inteligência emocional, ter esperança significa que não vamos cair numa ansiedade arrasadora, atitude derrotista ou depressão diante de desafios ou reveses difíceis. Na verdade, as pessoas esperançosas mostram menos depressão que as outras ao manobrarem na vida em busca de suas metas, são menos ansiosas em geral, e têm menos distúrbios emocionais.

OTIMISMO: O GRANDE MOTINADOR
As crenças das pessoas sobre suas aptidões têm um profundo efeito sobre essas aptidões. A aptidão não é uma propriedade fala; há uma imensa variabilidade na maneira como nos desempenhamos. As pessoas que têm senso de auto-eficácia se refazem de fracassos; abordam as coisas mais em termos de como lidar com elas do que se preocupando com o que pode dar errado.

FLUXO: A NEUROLOGIA DA EXCELÊNCIA
Uma concentração forçada uma concentração alimentada por preocupação -produz maior ativação cortical.Mas a zona de fluxo e desempenho ideal parece ser um oásis de eficiência cortical, com um dispêndio mínimo de energia mental.Isso faz sentido, talvez,em termos da prática na atividade que permite que as pessoas entrem no fluxo: o domínio das etapas de uma tarefa física, como escalar rochedos, ou mental, como a programação de computadores, significa que o cérebro pode ser mais eficiente em sua execução. As etapas bem praticadas exigem menos esforço do cérebro do que as que se estão aprendendo, ou as ainda muito difíceis.Do mesmo modo, quando o cérebro trabalha com menos eficiência, devido ao cansaço ou nervosismo,como acontece ao fim de um dia longo e estressante, há um turvamento da precisão do esforço cortical,com a ativação de demasiadas áreas supérfluas um estado geral que se sente como estando altamente distraído. O mesmo acontece no tédio. Mas quando o cérebro atua na eficácia máxima, como no fluxo, há uma relação precisa entre as áreas ativas e as exigências da tarefa. nesse estado, mesmo o trabalho árduo pode parecer mais renovador e restaurador que esgotante.
Em termos mais gerais, o fluxo sugere que a conquista de maestria em qualquer ofício ou corpo de conhecimento deve se dar, idealmente, de uma maneira natural, à medida que a criança é encaminhada para as áreas que a atraem espontaneamente - que, em essência, ela ama.
Isso revela o sentido mais geral em que canalizar emoções para um fim produtivo é uma aptidão mestra. Seja no controle de impulsos e adiamento da satisfação, no controle de nossos estados de espírito para que facilitem, em vez de impedir, o pensamento, motivando-nos a persistir e tentar e tentar de novo diante dos reveses, seja no encontro de meios de entrar em fluxo e com isso atuar com mais eficiência - tudo indica o poder da emoção na orientação do esforço eficaz.

As Raízes da Empatia
Assim como o modo da mente racional é a palavra, o das emoções é não-verbal Na verdade, quando as palavras de alguém discordam do que é transmitido em seu tom de voz, gestos ou outros canais não-verbais, a verdade emocional está mais no como ele diz alguma coisa do que no que ele diz. Uma regra elementar usada na pesquisa de comunicações é que 90 por cento ou mais de uma mensagem emocional são não verbais.
E essas mensagens - ansiedade no tom de voz de alguém, irritação na rapidez de um gesto - são quase sempre aceitas inconscientemente, sem se prestar atenção específica à natureza da mensagem mas apenas recebendo-a e respondendo-a tacitamente. As aptidões que nos permitem fazer isso bem ou mal são também, na maioria das vezes, tacitamente aprendidas

COMO SE DESENVOLVE A EMPATIA
Também descobriram que a empatia das crianças é igualmente moldada pela a mãe afirma esse prazer visão de como outros reagem quando alguém mais está aflito; imitando o que: igualando o tom de voz vêem as crianças desenvolvem um repertório de reação empática sobretudo na dá uma rápida balançada ajuda a outras pessoas angustiadas. Ação está em a mãe.

A CRIANÇA BEM SINTONIZADA
O amor físico é talvez a coisa mais próxima, na vida adulta, dessa íntima sintonização entre o bebê e a mãe. O amor físico, escreve Stem, envolve a experiência de sentir o estado subjetivo do outro: desejo partilhado,intenções alinhadas e mútuos estados de excitação simultaneamente mutáveis", com os amantes respondendo um ao outro numa sincronia que dá o sentido tácito de profunda relação. 0 amor físico é, no que tem de melhor, um ato de mútua empatia; no pior, falta-lhe toda essa mutualidade emociona.

O PREÇO DA FALTA DE SINTONIA
Enquanto o abandono emocional parece embotar a empatia, há um resultado paradoxal do abuso emocional intenso e constante, incluindo ameaças cruéis e sádicas, humilhações e simples maldade. As crianças que sofrem tais abusos podem tomar-se hiperalertas para as emoções dos que as cercam, no que equivale a uma vigilância pós-traumática para detectar indícios que anunciem ameaça. Essa preocupação obsessiva com os sentimentos dos outros é típica de crianças psicologicamente maltratadas que na idade adulta sofrem os mercuriais altos e baixos às vezes diagnosticados como “distúrbio limite de personalidade".
Muitas dessas pessoas têm o dom de sentir o que os que as cercam estão sentindo, e é muito comum dizerem que sofreram abusos emocionais na infância.

A NEUROLOGIA DA EMPATIA
Isso sugere que quando o cérebro emocional dirige o corpo com uma forte emoção – o calor da fúria, digamos - há pouca ou nenhuma empatia. Empatia exige bastante calma e receptividade para que os sutis sinais de sentimento da outra pessoa sejam recebidos e imitados por nosso cérebro emocional.

EMPATIA E ÉTICA: AS RAÍZES DO ALTRUÍSMO
A empatia está por trás de muitas facetas de julgamento e ação morais. Uma delas é a "raiva empática", que John Stuart Mill descreveu como "o sentimento natural de retaliação... tornado pelo intelecto e a simpatia aplicável a... aqueles sofrimentos que nos ferem por ferir outros"; Mill chamou isso de "guardião da justiça Outro exemplo em que a empatia conduz à ação moral é quando um circunstante é levado a intervir em favor de uma vítima; a pesquisa mostra que, quanto mais empatia ele sentir pela vítima, mais provável será que intervenha.
Há algum indício de que o nível de empatia que as pessoas sentem também afeta seus julgamentos morais. Por exemplo, estudos na Alemanha e nos Estados Unidos constataram que, quanto mais empáticas as pessoas, mais favorecem o principio moral de que os recursos devem ser distribuídos segundo a necessidade das pessoas.

A VIDA SEM EMPATIA: A MENTE DO MOLESTADOR, A MORAL DO SOCIOPATA
Robert Hare, o psicólogo da Universidade de Colúmbia que fez essa pesquisa, interpreta esses resultados como significando que os psicopatas têm uma tênue compreensão de palavras emocionais, um reflexo da tenuidade mais genérica no campo afetivo. Hare acredita que a insensibilidade dos psicopatas se baseia em parte em outro padrão psicológico que ele descobriu numa pesquisa anterior, e que também sugere uma irregularidade no funcionamento das amígdalas e circuitos relacionados: os psicopatas que vão tomar um choque elétrico não demonstram sinal algum da reação de medo normal em pessoas que vão sentir dor. Como a perspectiva de dor não provoca uma onda de ansiedade, Hare afirma que os psicopatas não se preocupam com punições futuras pelo que fazem. E como eles próprios não sentem medo, não têm empatia – ou piedade - pelo medo e a dor de suas vítimas.

AS ARTES SOCIAIS
Com essa base, amadurecem as "aptidões pessoais". São competências sociais que representam eficácia nas relações com os outros; os déficits, aqui, conduzem à inépcia no mundo social, ou a repetidos desastres.
Na verdade é precisamente a falta dessas aptidões que pode fazer mesmo os de maior brilho intelectual naufragar em seus relacionamentos, parecendo arrogantes, nocivos ou insensíveis. Essas aptidões sociais nos permitem moldar um encontro, mobilizar e inspirar outros, vicejar em relações íntimas, convencer e influenciar, deixar os outros à vontade.

DEMONSTRE ALGUMA EMOÇÃO

EXPRESSIVIDADE E CONTATO SOCIAL

OS RUDIMENTOS DE INTELIGÊNCIAL SOCIAL
Essas pessoas tentam vasculhar uma pessoa em busca de um sinal do que se exige delas antes de darem uma resposta, em vez de simplesmente dizer o que realmente sentem. Para enturmar-se e fazer-se gostar, estão dispostas a levar pessoas de quem não gostam a pensar que são amigas delas. E usam essas aptidões sociais para modelar suas ações de acordo com situações sociais díspares, para agir como pessoas muito diferentes, a depender de com quem estão, passando da borbulhante sociabilidade, digamos, para uma retirada reserva. Claro, na medida em que esses traços conduzem a um efetivo controle de impressão, são altamente valorizados em certas profissões, notadamente o teatro, o julgamento em tribunal, vendas, diplomacia e política.
Outro tipo, talvez mais crucial, de auto-monitoramento parece fazer a diferença entre os que acabam como camaleões sociais à deriva, tentando impressionar todo mundo, e os que sabem usar seu verniz social mais de acordo com seus verdadeiros sentimentos. É a capacidade de ser autêntico, como diz o ditado, "sermos nós mesmos", que permite agir de acordo com nossos mais profundos sentimentos e valores, sem ligar para as conseqüências sociais. Essa integridade emocional pode muito bem levar a, digamos, deliberadamente provocar um confronto a fim de vencer uma duplicidade ou negação uma limpeza do ar que o camaleão social jamais tentaria.

A FORMAÇÃO DE UM INCOMPETENTE SOCIAL
As crianças que não sabem ler ou expressar bem suas emoções sentem-se constantemente frustradas. Esse tipo de comunicação é um constante subtexto de tudo que se faz você não pode deixar de mostrar a expressão facial ou postura ou esconder o tom de voz. Se comete erros nas mensagens emocionais que envia sente constantemente que as pessoas reagem de maneiras estranhas: você é repelido sem saber por quê. Se pensa que está se mostrando alegre, mas na verdade parece demasiado tenso ou zangado, descobre que as outras criança por sua vez, ficam zangadas com você, e não entende por quê. Essas criança acabam não tendo nenhum senso de controle sobre como os outros as tratar sentindo que suas ações não têm impacto no que Ihes acontece. Isso a deixa sentindo-se impotentes, deprimidas e apáticas.
Além de tornarem-se isolados sociais, essas crianças também sofrem academicamente a sala de aula, claro, é tanto uma situação social quanto acadêmica é tão provável a criança socialmente desajeitada entender ou responder errado a um professor quanto à outra criança. A ansiedade e perplexidade resultantes podem por si mesmas, interferir em sua capacidade de aprende eficazmente Na verdade, como têm mostrado testes de sensibilidade não-verbal de crianças as que interpretam mal os sinais emocionais tendem a sair-se mal na escola, em comparação com o seu potencial acadêmico refletido nos testes de QI.

"A GENTE ODEIA VOCÊ": NO LIMIAR

BRILHANTISMO EMOCIONAL: RELATÓRIO DE UM CASO

PARTE TRÊS INTELIGÊNCIA EMOCIONAL APLICADA

INIMIGOS ÍNTIMOS
Amar e trabalhar, observou certa vez Sigmund Freud a seu discípulo Erik Erikson, são as aptidões gêmeas que assinalam a plena maturidade. Se assim é, a maturidade talvez seja uma etapa da vida ameaçada de extinção - e as atuais tendências de casamento e divórcio tornam a inteligência emocional mais crucial que nunca.

O CASAMENTO DELE E O DELA: RAÍZES DE INFÂNCIA
O fim do jogo marital reflete o fato de que há, na verdade, duas realidades emocionais num casal, a dele e a dela. As raízes dessas diferenças emocionais, embora possam ser em parte biológicas, também podem ser identificadas na infância, e nos separados mundos emocionais que habitam meninos e meninas enquanto crescem. Há uma vasta quantidade de pesquisas sobre esses mundos diferentes com as barreiras reforçadas não só pelas diferentes brincadeiras que meninos e meninas preferem, mas pelo temor das crianças pequenas de serem gozadas por terem uma "namorada" ou "namorado". Um estudo de amizades infantis constatou que crianças de três anos dizem que metade de seus amigos é do sexo oposto; para as de cinco anos, são cerca de 20 por cento; e aos sete quase nenhum menino ou menina diz ter um melhor amigo do sexo oposto.
Esses universos sociais separados pouco se cruzam até os adolescentes começarem a namorar. Enquanto isso, ensinam-se a meninos e meninas lições bem diferentes sobre como lidar com as emoções. Os pais, em geral, discutem emoções - com exceção da ira mais com as filhas que com os filhos. As meninas recebem mais informação sobre emoções que os meninos: quando os pais inventam histórias para contar aos filhos pré-escolares, empregam mais palavras emocionais ao falarem com as filhas do que com os filhos; quando as mães brincam com seus bebês, demonstram uma maior gama de emoções às meninas que aos meninos; quando as mães falam com as filhas sobre sentimentos, discutem com mais detalhes o próprio estado emocional do que fazem com os filhos - embora com os filhos entrem em mais detalhes sobre as causas e conseqüências de emoções como a ira (provavelmente como uma história admonitória).
Deborah Tannen em seu livro You Just Don't Understand [Você simplesmente não entende], essas perspectivas diferentes significam que homens e mulheres querem e esperam coisas bastante diferentes de uma conversa, com os homens satisfeitos em falar de "coisas" e as mulheres buscando ligação emocional.
Simplesmente chegar a um acordo sobre como discordar é fundamental para a sobrevivência conjugal; homens e mulheres têm de superar as diferenças de gênero inatas ao abordarem emoções pedregosas.

FENDAS CONJULGAIS
Fechar-se em copas é a defesa última. O que se fecha simplesmente se mostra vazio, na verdade retirando-se da conversa com uma pétrea expressão e silêncio.Essa atitude envia uma mensagem potente e desestimulante,assim como uma combinação de gélida distância,superioridade e nojo.Isso mostrou-se sobretudo em casais que se encaminhavam para o desastre a uma esposa que atacava com crítica e sarcasmo.Como reação habitual,isso é devastador para a saúde de um relacionamento: corta toda possibilidade de resolver desacordos.

IDÉIAS TÓXICAS
As crianças estão impossíveis, e Martin, o pai, já começa a irritar-se. Ele volta-se para a esposa, Melanie, e diz num tom ríspido:
- Querida, não acha que as crianças podiam ficar quietas?
O que está pensando de fato é: "Ela é mole demais com as crianças.”
Melanie, reagindo à ira dele, sente uma onda de raiva. O rosto fica tenso, as
sobrancelhas se franzem numa carranca, e ela responde:
- Estão se divertindo. De qualquer modo, já vão pra cama.
Está pensando: "Lá vem ele de novo, só vive se queixando.”

Supostamente, pensamentos automáticos como "Ela vai me deixar" são disparadores de um seqüestro emocional em que os esposos espancadores reagem por impulso, como dizem os pesquisadores, com "incompetentes respostas comportamentais" tomam-se violentos.

INUNDAÇÃO: O ALAGAMENTO DE UM CASAMENTO
As pessoas inundadas não ouvem sem distorção nem respondem com lucidez; acham difícil organizar os pensamentos e recaem em reações primitivas. Querem que tudo pare, ou desejam fugir, ou, às vezes, revidar. A inundação é um seqüestro emocional que se auto-perpetua.

HOMENS: O SEXO VULNERÁVEL
Para proteger-se da inundação, torna-se cada vez mais defensivo ou simplesmente se fecha em copas por completo. Mas, Mas quando os maridos se fecham, lembrem, isso dispara a inundação nas esposas, que se sentem inteiramente barradas. E, à medida que o ciclo de brigas maritais cresce é demasiado fácil perder o controle.

DELE E DELA CONSELHO CONJUGAL

A BOA BRIGA

CONTROLANDO COM O CORAÇÃO
Em 80 por cento das quedas de avião, os pilotos cometem erros que poderiam ser evitados, sobretudo se a tripulação trabalhasse com mais harmonia. O trabalho em equipe, linhas de comunicação abertas, cooperação,
saber escutar e dizer o que pensa rudimentos de inteligência social são agora enfatizados aos pilotos em treinamento, juntamente com as habilidades técnicas.

- A tensão torna as pessoas idiotas.
No lado positivo, imaginem os proveitos para o trabalho das aptidões emocionais básicas estar em sintonia com os sentimentos daqueles com quem tratamos, saber lidar com discordâncias para que não cresçam, ter a habilidade de entrar em estados de fluxo quando fazendo nosso trabalho. Liderança não é dominação, mas a arte de convencer as pessoas a trabalhar para um objetivo comum. E, em termos de administração da própria carreira, talvez não haja nada mais essencial do que reconhecer nossos mais profundos sentimentos sobre o que fazemos e que mudanças nos deixariam mais verdadeiramente
satisfeitos com o que fazemos.
Alguns dos menos óbvios motivos pelos quais as aptidões emocionais estão passando para o primeiro plano das habilidades empresariais refletem mudanças radicais no local de trabalho. Vou explicar o que quero dizer identificando a diferença que fazem três aplicações da inteligência emocional: poder externar queixas como críticas construtivas, criar uma atmosfera em que a diversidade seja mais uma coisa valorizada que uma fonte de atrito e o trabalho em rede efetivo.

A Pior Maneira de Motivar Alguém
Na verdade, uma das formas mais comuns de crítica destrutiva no local de trabalho diz um consultor empresarial, é uma declaração geral e generalizada como "Você está fodendo tudo” feita num tom duro, sarcástico, irado, não dando nem possibilidade de resposta nem qualquer sugestão de como fazer melhor. Deixa a pessoa que a recebe impotente e irada.
Quando o chefe não diz imediatamente o que sente isso leva a um lento acúmulo de frustração. E aí, um dia, explode. Se a crítica tivesse sido feita antes, o empregado poderia ter corrigido o problema. Demasiadas vezes as pessoas criticam apenas quando a coisa transborda, quando ficam iradas demais para conter-se. E é aí que fazem a crítica da pior forma, num tom de mordente sarcasmo, trazendo de volta uma longa lista de queixas que guardaram para si mesmas, ou fazendo ameaças. Esses ataques saem pela
culatra. São recebidas como uma afronta, e quem a recebe fica irado por sua vez. E pior maneira de motivar alguém

A Crítica Habilidosa Pensem na alternativa.
A crítica habilidosa concentra-se no que a pessoa fez e pode fazer, em vez de ver um sinal de caráter num trabalho malfeito.
Concentre-se nos detalhes, dizendo o que a pessoa fez bem, o que fez mal, e como isso pode mudar. Não faça rodeios, nem seja indireto nem evasivo; isso confundirá a verdadeira mensagem.
De uma queixa; diga exatamente qual é o problema, o que está errado ou como o faz sentir, e o que pode mudar.

Levinson também oferece alguns conselhos emocionais para os que recebem a crítica. Um deles é ver a crítica como uma informação valiosa sobre como fazer melhor, não como um ataque pessoal.

LIDANDO COM DIVERSIDADE
Seminários tornaram-se parte dos treinamentos intensos de empresas por todos os Estados Unidos, com a crescente compreensão pelos administradores de que mesmo que as pessoas tragam consigo preconceitos para o emprego, devem aprender a agir como se não tivessem nenhum.

A chave para um alto QI de grupo é a harmonia social.
O que faz a diferença entre as estrelas e os outros não é o QI acadêmico deles, mas o QI emocional. São mais capazes de motivar-se, e de transformar suas redes informais em equipes improvisadas.

CONTROLANDO COM O CORAÇÃO
O problema é quando a equipe médica ignora como os pacientes reagem emocionalmente enquanto eles cuidam de sua condição física. Essa falta de atenção à realidade emocional da doença esquece um grande volume de indícios que mostram que os estados emocionais das pessoas às vezes desempenham um papel importante em sua vulnerabilidade à doença e no curso da recuperação Demasiadas vezes, falta à moderna assistência médica inteligência emocional.
Para o paciente, qualquer encontro com uma enfermeira ou médico pode ser uma oportunidade de uma informação tranqüilizadora, conforto e alívio ou, se tratado com infelicidade, um convite ao desespero. Mas muitas vezes a equipe médica é precipitada ou indiferente à angústia do paciente.

A MENTE DO CORPO: COMO AS EMOÇÕES CONTAM PARA A SAÚDE
Robert Ader, psicólogo, descobriu que o sistema imunológico, como o cérebro, era capaz de aprender. Esse resultado causou impacto; o saber predominante na medicina era de que só o cérebro e o sistema nervoso central podiam responder à experiência mudando a maneira de comportar-se.
As emoções têm um poderoso efeito sobre o sistema nervoso autônomo, que regula tudo, desde quanta insulina é secretada até os níveis de pressão
sanguínea. Felten, trabalhando com sua. esposa, Suzanne, e outros colegas, detectou então um ponto de encontro onde o sistema nervoso autônomo fala diretamente com os linfócitos e macrófagos, células do sistema imunológico.
Ninguém suspeitara de que as células imunológicas podiam ser alvos de mensagens enviadas dos nervos. As catecolaminas (epinefrina e norepinefrina –também conhecidas como adrenalina e noradrenalina), cortisol prolactina e os opiatos naturais betaendorfina e encefalina são todos liberado durante a estimulação da tensão.

EMOÇÕES TÓXICAS: DADOS CLÍNICOS

AS VANTAGENS MÉDICAS DOS SENTIMENTOS POSITIVOS

LEVANDO A INTELIGÊNCIA EMOCIONAL AOS CUIDADOS MÉDICOS

POR UMA MEDICINA QUE SE ENVOLVE
Esses passos são um começo. Mas para a medicina ampliar sua visão e abarcar o impacto das emoções, devem-se levar a sério duas grandes implicações das descobertas científicas:
1. Ajudar as pessoas a lidar melhor com seus sentimentos perturbadores - ira, ansiedade, depressão, pessimismo e solidão é uma forma de prevenir a doença.

2. Muitos pacientes podem beneficiar-se mensuravelmente quando suas necessidades psicológicas são cuidadas juntamente com as puramente médicas. Embora seja um passo para uma assistência mais humana quando um médico ou enfermeiro oferece conforto e consolo a um paciente angustiado, é possível fazer mais.

UM CORAÇÃO DE VANTAGEM
O impacto dos pais sobre a competência emocional começa no berço.
Os pais, diz Brazelton, "precisam entender como seus atos podem ajudar a gera a confiança, curiosidade, prazer de aprender e compreensão de limites”.
A primeira oportunidade para moldar os ingredientes da inteligência emocional é nos primeiros anos, embora essas aptidões continuem a formar-se por todos os anos de escola. As aptidões emocionais que as crianças adquirem na vida posterior formam-se em cima dessas dos primeiros anos. E essas aptidões, como vimos no Capítulo 6, são o alicerce essencial de todo o aprendizado.
A disposição da criança para a escola depende do mais básico de todos os conhecimentos: como aprender. O trabalho relaciona os sete ingredientes-chave dessa aptidão fundamental - todos relacionados com a inteligência emocional 1. Confiança. O senso de controle e domínio do próprio corpo, comportamento e mundo; o senso da criança de que tem mais probabilidade de vencer do que fracassar naquilo que empreender e de que os adultos serão úteis. 2. Curiosidade. O senso de que descobrir coisas é positivo e dá prazer.
3. Intencionalidade. O desejo e capacidade de causar impacto e explorar isso com persistência. Está relacionado com o senso de competência, de ser eficiente.
4. Autocontrole. A capacidade de modular e controlar as próprias ações de formas apropriadas à idade; o senso de controle interno.
5. Relacionamento. A capacidade de entrosar-se com outros, baseada no 6. Capacidade de comunicar-se. O desejo e capacidade de trocar verbalmente idéias, sentimentos e conceitos com outros. Está relacionado ao senso de confiança nos outros e de prazer no entrosamento com eles, incluindo adultos.
7. Cooperatividade. A capacidade de equilibrar as próprias necessidades com as dos outros nas atividades de grupo. Se a criança chega ou não, no primeiro dia de jardim-de-infância, com essas aptidões, depende muito de quanto seus pais e professores no pré-escolar lhe deram a atenção tipo um "Coração de Vantagem", o equivalente dos programas "Vantagem Inicial".

OBTENDO O BÁSICO EMOCIONAL
Digamos que um bebê de dois meses acorda às três da manhã e se põe a chorar. A mãe entra e, na meia hora seguinte, o bebê mama satisfeito nos braços dela, que o olha com afeição, dizendo-lhe que está feliz por vê-lo, mesmo no meio da noite. O bebê, contente com o amor da mãe, volta a dormir.
Agora digamos que outro bebê de dois meses, que acordou chorando de madrugada é atendido ao contrário por uma mãe tensa e irritável, que acabou de adormecer uma hora atrás, após uma briga com o marido. O bebê começa a ficar tenso assim que a mãe o pega dizendo-lhe: "Cale a boca! Eu não agüento mais nada! Vamos, vamos acabar logo com isso." Enquanto o bebê mama, a mãe mira com um olhar pétreo em frente, não para ele, revendo a briga com o marido, mais agitada à medida que pensa. O bebê, sentindo sua tensão, se contorce, enrijece e pára de mamar. "Não quer mais, não?" pergunta a mãe. "Então não mame." Com a mesma brusquidão o põe de volta no berço e sai danada da vida, deixando-o chorar até voltar a dormir, de exaustão.
Os dois cenários são apresentados no relatório do Centro Nacional para Programas Clínicos Infantis como exemplos dos tipos de interação que, se repetidos sempre, instilam sentimentos muito diferentes num bebê, sobre ele mesmo e suas relações mais íntimas.
O primeiro bebê está aprendendo que se pode confiar em que as pessoas notem suas necessidades e ajudem, e que ele pode ser eficiente na busca de ajuda; o segundo está descobrindo que ninguém na verdade Ihe dá a mínima, que não se pode contar com as pessoas, e que seus esforços para conseguir consolação só se depararão com o fracasso. Na medida em que uma ou outra é típica de como os pais tratam um filho no correr dos anos, se transmitirão lições emocionais básicas sobre até onde a criança ainda está segura no mundo, até onde se sente eficiente, e até onde os outros são confiáveis.
Todos os pequenos intercâmbios entre pais e filhos têm um subtexto
emocional, e com a repetição dessas mensagens através dos anos, as crianças formam o núcleo de sua perspectiva e aptidões emocionais.
Os três ou quatro primeiros anos de vida são um período em que o cérebro da criança cresce até cerca de dois terços de seu tamanho final, e evolui em capacidade num ritmo maior do que jamais voltará a fazer. Nesse período, ocorrem mais facilmente tipos-chave de aprendizado do que na vida posterior sendo o aprendizado emocional o principal entre eles. Nessa época, a tensão severa pode prejudicar os centros de aprendizado do cérebro (e, portanto, o intelecto).

COMO CRIAR UM VALENTÃO

MAUS-TRATOS: A EXTINÇÃO DA EMPATIA

O HORROR CONGELADO NA LEMBRANÇA
O circuito seqüestrador discutido no Capítulo 2 parece crítico no deixar uma marca tão poderosa na memória: quanto mais brutais, chocantes e horrendos os fatos que disparam o seqüestro da amígdala, mais indelével a lembrança. A base neural dessas lembranças parece ser uma generalizada alteração na química do cérebro posta em movimento por um único exemplo de terror arrasador.4 Embota as constatações do PTSD se baseiem tipicamente no impacto de um episódio, resultados semelhantes podem vir de crueldades
infligidas num período de anos, como acontece com crianças sexual, física ou
emocionalmente maltratadas.

PARTE 4 TEMPERAMENTO NÃO É DESTINO

O PTSD COMO DISTÚRBIO LÍMBICO

- O excesso de CRF faz a gente reagir com exagero. Por exemplo, se você é um veterano do Vietnã com PTSD e ouve o estampido do cano de descarga de um carro no estacionamento do shopping Center, é o disparo de CRF que o inunda com os mesmos sentimentos do trauma original: você começa a suar, fica com medo, tem arrepios e tremores, pode ter flashbacks Nas pessoas que hipersecretam CRF, a reação de susto é superativa.

REAPRENDIZADO EMOCIONAL
Em geral, quando alguém aprende a assustar-se com uma coisa por medo condicionado, o medo passa com o tempo. Isso parece se dar por um reaprendizado natural, à medida que o objeto temido é de novo encontrado sem nada ele realmente assustador. Assim, uma criança que adquire medo de cachorro porque foi perseguida por um rosnante pastor alemão vai aos poucos e naturalmente perdendo o medo se, digamos, se muda para a vizinhança de alguém que tem um pastor alemão simpático, e passa tempo brincando
com o cachorro.
No PTSD espontâneo, não se dá o reaprendizado. Charney sugere que isso talvez se deva às mudanças do PTSD no cérebro, que são tão fortes que, na verdade, o seqüestro da amígdala ocorre toda vez que aparece alguma coisa mesmo vagamente reminiscente do trauma original, fortalecendo a rota do medo.
Isso quer dizer que não há uma só vez em que o que se teme se combine com um sentimento de calma a amígdala jamais reaprende uma reação mais branda.

REEDUCANDO O CÉREBRO EMOCIONAL

REAPRENDIZADO EMOCIONAL E RECUPERAÇÃO DE UM TRAUMA

A PSICOTERAPIA C0M0 UM CURSO EMOCIONAL

TEMPERAMENTO NÃO É DESTINO
O temperamento é um dado no nascimento, público parte da loteria genética que tem força compulsória no desenrolar da vida. Todo pai viu isso: desde o nascimento, a criança é calma e plácida, ou obstinada e difícil.
Ele afirma que existem pelo menos quatro tipos de temperamento tímido, ousado, otimista e melancólico e que cada um se deve a um diferente padrão de atividade cerebral.

A NEUROQUIMICA DA TIMIDEZ
Kagan acredita que a diferença entre o cauteloso Tom e o ousado Ralph está na excitabilidade de um circuito neural centrado na amígdala. Ele sugere que pessoas como Tom, inclinadas ao medo, nascem com uma neuroquímica que torna esse circuito facilmente estimulável, e por isso elas evitam o desconhecido, do recuam da incerteza e sofrem ansiedade. Aquelas que, como Ralph, têm um sistema nervoso calibrado com um limiar muito mais alto de estimulação da amígdala, se assustam com menos facilidade, são mais naturalmente abertas e ávidas por explorar novos lugares e conhecer novas
pessoas.
Kagan afirma que as crianças tímidas podem ter herdado cronicamente altos níveis de norepinefrina ou outros produtos químicos cerebrais que ativam a amígdala e com isso criam um baixo limiar de excitabilidade, fazendo a amígdala disparar com mais facilidade.

DOMANDO A AMIGDALA SUPEREXCITÁVEL
A notícia encorajadora dos estudos de Kagan é que nem todos os bebês medrosos crescem abstendo-se da vida temperamento não é destino. Pode-se domar a amígdala superexcitável, com as experiências certas. O que faz a diferença são as lições e respostas emocionais que as crianças aprendem enquanto crescem.
Por que a firmeza levaria a uma redução do medo? Kagan especula que algo se aprende quando um bebê tem seu engatinhar para uma coisa que Ihe parece intrigante (mas à mãe parece perigosa) interrompido pelo aviso dela: "Afaste-se disso! O bebê é de repente obrigado a lidar com uma leve incerteza.
A repetição desse desafio centenas e centenas de vezes no primeiro ano de vida proporciona ao bebê contínuos ensaios, em pequenas doses, de como enfrentar o inesperado na vida. Para as crianças medrosas, esse é precisamente o encontro que tem de ser dominado, e doses controláveis bastam para aprender a lição. Quando o encontro tem lugar com pais que,
embora amorosos, não correm a pegar e consolar o bebê a cada pequena perturbação, ele vai aprendendo aos poucos a dar com tais momentos por si mesmo.

JANELAS CRUCIAIS

PARTE CINCO ALFABETIZAÇÃO EMOCIONAL

O PREÇO DO ANALFABETISMO EMOCIONAL

UM MAL-ESTAR EMOCIONAL

DOMANDO A AGRESSÃO

ESCOLA DE ARRUACEIROS

PREVENDO A DEPRESSÃO
Sobretudo nos jovens, os problemas de relacionamento são um gatilho da depressão. A dificuldade muitas vezes está tanto nas relações das crianças com os pais quanto com os colegas. As crianças e adolescentes deprimidos muitas vezes não podem ou não querem falar de sua tristeza. Parecem incapazes de rotular com precisão seus sentimentos, mostrando em vez disso uma mal-humorada irritabilidade, impaciência, instabilidade e raiva sobretudo para com os pais.

UM PREÇO DA MODERNIDADE: CRESCENTES TAXAS DE DEPRESSÃO

ALFAIETIZAÇAO IMOCIONAL

UM PONTO DE ATRITO

POST-MORTEM: UMA BRIGA QUE NÃO HOUVE

PROCUPAÇOÕES DO DIA

OS ABCS DA INTELIGÊNCIA EMOCIONAL

ALFABETlZAÇÃO EMOCIONAL NOS CENTROS URBANOS

Alfabetização EMOCIONAL DISFARÇADA

O CRONOGRAMA EMOCIONAL

A HORA É TUDO
Quando psicólogos desenvolvimentistas e outros mapeiam o surgimento das emoções têm condições de ser mais específicos sobre exatamente quais lições a Criança deve aprender em cada ponto no desenrolar-se da inteligência emocional, quais os déficits duradouros são prováveis naqueles que não dominam as aptidões fundamentais na hora própria, e que experiências terapêuticas podem compensar o que foi perdido.
No programa de New Haven, por exemplo, as crianças nas séries mais jovens em lições básicas de autoconsciência, relacionamentos e processo de decisão. As primeiras séries, os alunos sentam-se num círculo e rodam o "cubo dos sentimentos, que tem palavras como triste ou excitado em cada lado. Quando chega a sua vez, descrevem um momento em que tiveram esse sentimento um exercício que Ihes dá mais certeza ao ligarem sentimentos a palavras e ainda na empatia quando ouvem outros com os mesmos sentimentos que eles.
Na quarta e quinta séries, quando as relações com os colegas assumem um imensa importância em suas vidas, eles têm lições que ajudam a amizade a funcionar melhor: empatia, controle de impulso e da ira. A classe de Aptidões para a vida sobre leitura de emoções em expressões faciais que os alunos de quinta série da escola Troup testavam, por exemplo, é essencialmente sobre empatia. Para controle de impulso, exibe-se com destaque um cartaz com um sinal de trânsito de seis etapas:
Sinal vermelho: 1. Pare, se acalme e pense antes de agir.
Sinal amarelo: 2. Diga o problema e como você se sente.
3. Estabeleça uma meta positiva.
4. Pense em muitas soluções.
5. Adiante-se às conseqüências.
Sinal verde: 6. Siga e tente o melhor plano.
A noção do sinal de trânsito é invocada regularmente quando a criança, por exemplo, está para atacar furiosa, ou retraída num amuo por alguma ofensa, ou cai em prantos por ser provocada, e proporciona um conjunto concreto de passos para lidar com esses momentos carregados de uma forma mais comedida. Além do controle dos sentimentos, aponta um caminho para uma ação mais eficaz. E, como uma maneira habitual de controlar o impulso emocional mais rebelde pensar antes de agir com base nos sentimentos pode evoluir numa estratégia básica para lidar com os riscos da adolescência e além.
Na sexta série, as lições se relacionam mais diretamente com as tentações e pressões de sexo drogas ou bebida que começam a entrar na vida das crianças. No segundo grau, quando os adolescentes se vêem diante de realidades sociais mais ambíguas, enfatiza-se a capacidade de adotar múltiplas perspectivas - a nossa e as dos outros envolvidos.
Se o garoto está furioso porque viu a namorada conversando com outro diz um dos professores de New Haven - ele seria encorajado a pensar no que está se passando do ponto de vista deles também, em vez de simplesmente mergulhar num confronto.

ALFABETIZAÇÃO EMOCIONAL COMO PREVENÇÃO

REPENSANDO ESCOLAS: O ENSINO PELO SER.
COMUNIDADES QUE SE ENVOLVEM

UMA MISSÃO AMPLIADA PARA AS ESCOLAS

A ALfABTlZAÇÃO EMOCIONAL FAZ ALGUMA DIFERENÇA?

AUTOCONSCIÊNCLA EMOCIONAL
· Melhora no reconhecimento e designação das próprias emoções · Maior capacidade de entender as causas dos sentimentos · Reconhecer a diferença entre sentimentos e atos.

CONTROLE DE EMOÇOES
* Melhor tolerância à frustração e controle da ira * Menos ofensas verbais, brigas e perturbação de aulas * Maior capacidade de expressar adequadamente a ira, sem brigar * Menos suspensões e expulsões * Menos comportamento agressivo ou autodestrutivo * Mais sentimentos positivos sobre si mesmo, a escola e a família * Melhor no lidar com a tensão · Menos solidão e ansiedade social.

CANALIZAR PRODUTIVAMENTE AS EMOÇÕES
* Mais comunicativo * Maior capacidade de concentrar-se na tarefa imediata e prestar atenção * Menos impulsivo; mais autocontrole * Melhores notas nos testes de aproveitamento.

EMPATIA: LER EMOÇÕES
* Maior capacidade de adotar a perspectiva do outro * Melhor empatia e sensibilidade com os sentimentos dos outros * Melhor no ouvir os outros.

LIDAR COM RELACIONAMENTOS
* Maior capacidade de analisar e compreender relacionamentos * na solução de conflitos e negociação de desacordos * na solução de problemas em relacionamentos * Mais assertivo e hábil no comunicar-se * Mais popular e aberto; amistoso e envolvido com os colegas * Mais procurado pelos colegas * Mais preocupado e atencioso * Mais pró-social" e harmonioso em grupos * Mais partilha, cooperação e prestatividade * Mais democrático no lidar com os outros. UM item desta lista exige especial atenção: os programas de alfabetização melhoram as notas de aproveitamento acadêmico das crianças e o desempenho na escola. Isso não é uma constatação isolada; repete-se sempre e sempre nesses estudos.

CARÁTER, MORALIDADE AS ARTES DA DEMOCRACIA