Nascemos
inseridos em um mistério, um mistério que tem nos assombrado desde que nos
conhecemos por humanos.
Acordamos
neste mundinho sob um cobertor de estrelas, como um bebê abandonado na porta de
uma casa, sem uma carta que explique de onde viemos, quem somos, como nosso
universo foi concebido. E sem ideia de como terminar nossa isolação cósmica.
Tivemos que
entender tudo isso por nós mesmos. A melhor coisa que tínhamos a nosso favor era
nossa inteligência, especialmente, nosso dom para reconhecimento de padrões, aguçado
através de eras de evolução. Aqueles que eram bons em detectar presas e
predadores, que distinguiam as plantas venenosas das nutritivas, tinham mais
chances de viverem e se reproduzirem. Eles sobreviveram e passaram adiante os
genes para reconhecimento de padrões, com suas vantagens evidentes.
Povos do
planeta todo olhavam as mesmas estrelas e reconheciam diferentes figuras nelas.
Usamos este dom de reconhecer padrões na natureza para ler o calendário no céu.
As mensagens escritas nas estrelas Diziam aos nossos antepassados quando
acampar e quando se mover. Quando os rebanhos migravam e quando a chuva e o
frio chegariam, e quando cessariam por um tempo. Quando perceberam a direta
conexão entre o movimento das estrelas e os ciclos sazonais da vida na Terra, concluíram,
naturalmente, que o que acontece lá em cima deve nos afetar aqui embaixo.
Faz sentido, certo?
Se o céu era um calendário e alguém
colocou um recado em cima dele, o que mais seria senão uma mensagem?
Quando a ordem celestial era
violada de repente pela aparição de um cometa no céu...
Eles levavam para o lado pessoal.
Podemos os culpar?
Naquela época, não tinham outra
explicação lógica para o que tinha acontecido. Foi muito antes de qualquer um
imaginar que a Terra era um planeta rotacionando um eixo inclinado que
transladava ao redor do Sol. Todo povo antigo cometeu o mesmo erro: um cometa
deve ser uma mensagem enviada pelos deuses, ou um deus, em particular.
E quase da mesma forma, nossos
ancestrais concluíram que as notícias não eram boas. Não importa se era um
antigo Asteca, Anglo-Saxão, Babilônico, Hindu. Cometas eram presságios de
desgraça. A única diferença entre eles era a natureza precisa do futuro
desastre. "Dis-aster", do grego "estrela má".
Para Masai da África Oriental um
cometa significa fome. Para os Zulus do sul, significava guerra. Para os Eghap
do ocidente, significava doença. Para os Djaga do Zaire, era, especificamente,
a varíola. Para os vizinhos deles, os Luba, um cometa previa a morte de um líder.
Os chineses antigos eram incrivelmente sistemáticos. Por volta de 1400 a.C., começaram
a registrar e catalogar as aparições de cometas. Um cometa de três caudas significava
calamidade para o país. Um cometa com quatro caudas significava que uma
epidemia estava chegando.
O talento
humano para o reconhecimento de padrões é uma espada de dois gumes. Somos muito
bons em achar padrões, mesmo quando não existem de verdade, o chamado
"reconhecimento de padrões falsos". Somos sedentos por significância,
por sinais de que nossa existência tem um significado especial para o universo.
Para tanto, todos ansiamos enganar a nós mesmos e outros, discernir uma imagem
sagrada em um sanduíche de queijo ou encontrar um alerta divino em um cometa.
Hoje, sabemos
exatamente de onde vêm os cometas e do que eles são feitos. Nossa Nave da
Imaginação, alimentada tanto pela ciência quanto pela imaginação, pode nos
levar a qualquer lugar no espaço e tempo. Pode viajar mais rápido que a luz e
tornar visíveis coisas que não podem ser vistas. Ela está nos levando para um
território misterioso, que está há um ano-luz do Sol.
O que é este enxame de mundos?
Foi organizado por aliens? Não.
Somente pela gravidade. São os
resquícios do passado, montanhas de pedra e gelo à deriva, os restos preservados
do nascimento do Sistema Solar. É chamado de Nuvem de Oort, em homenagem a Jan
Oort, o astrônomo holandês que previu sua existência em 1950.
Ele estava
tentando resolver um paradoxo. Há várias maneiras de cometas morrerem. Por
atravessarem órbitas de planetas, os cometas frequentemente se chocam com eles.
Cometas são formados principalmente de gelo, então, a cada vez que chegam perto
do Sol, perdem parte deles por evaporação. E após milhares de viagens, o gelo
acaba, e o que permanece do comenta é agora um asteroide. Cometas podem ser
ejetados do Sistema Solar pela gravidade e exilados ao espaço. E ainda, de
alguma maneira, os cometas continuam chegando. Oort e outros astrônomos se
perguntaram: "De onde vêm todos os cometas?"
Oort calculou
a taxa em que novos cometas aparecem e concluiu que deveria haver um gigante
enxame esférico deles a alguns anos-luz, dando voltas no Sol. A lógica de Oort
ainda permanece, mesmo após todas as descobertas sobre cometas e o Sistema
Solar em muitas décadas desde então. E mesmo assim, a Nuvem de Oort é uma visão
na qual ninguém pôs os olhos. Nem poderíamos. É escuro lá fora. E cada cometa
está tão longe de seu vizinho mais próximo quanto a Terra está de Saturno.
Mas a ciência
nos dá poderes especiais. Deu a Jan Oort o dom da profecia.
Oort foi também o primeiro a
estimar corretamente a distância entre o Sol e o centro da nossa galáxia. Isso é
impressionante, descobrir onde estamos na Via Láctea. Nossa estrela está a
cerca de 30 mil anos-luz do centro. Oort foi também o primeiro a usar um
radiotelescópio para mapear a estrutura espiral da galáxia. E descobriu que o
centro de nossa galáxia era um lugar de explosões titânicas, a primeira indicação
de que lá talvez houvesse um buraco negro supermassivo por perto.
O fato de que
a maioria saiba os nomes de assassinos em massa, mas nunca ouviu falar de Jan
Oort, diz algo sobre nós?
A Nuvem de Oort é tão grande que
um dos cometas dela leva um milhão de anos para completar uma única volta ao
redor do Sol. Aqui, no outro extremo do Sistema Solar, mesmo a gravidade de uma
pequena estrela viajante pode liberar alguns desses cometas de seus vínculos
gravitacionais com o Sol. Alguns cometas são atirados para fora do Sistema
Solar para vagar no espaço interestelar.
Mas para
outros, há um destino diferente. Esse está indo em direção ao Sol, ganhando
velocidade em um queda livre ininterrupta que dura centenas de milhares de
anos. Quando a gravidade de Netuno dá outro puxão, há uma pequena mudança no
curso. O poderoso Júpiter, o objeto mais massivo em nosso Sistema Solar, além
do Sol, atrai o cometa com sua poderosa atração gravitacional, curvando seu
curso. Quando nosso cometa chega no interior do Sistema Solar o calor do Sol o
queima.
Uma bela transformação começa. O
icebergue árido e coberto de fuligem agora ostenta uma auréola brilhante e uma
cauda.
Estas camadas
contam a história de como o cometa foi feito, alguns há 4 bilhões de anos. Durante
as 40 mil gerações da humanidade, deve ter acontecido cerca de 100 mil aparições
de um cometa brilhante. Por todo esse tempo, o melhor que podíamos fazer era
olhar para cima maravilhados prisioneiros da Terra sem termos onde buscar uma
explicação além de nossa culpa e nossos medos.
Mas então, uma
amizade começou entre dois homens, levando à permanente revolução no pensamento
humano. Isaac Newton e Edmond Halley podiam não saber, mas suas colaborações finalmente
nos livrariam de nosso longo confinamento neste pequeno mundo. O cometa de 1664
causou pavor por toda a Europa, e o terror parecia justificável quando a Praga e
o Grande Incêndio de Londres vieram logo depois. Lá, com longos cabelos
sangrentos, uma estrela ardente ameaça o mundo com fome, praga e guerra. Para
príncipes, significava a morte. Para reinos, muitas cruzes. Para todos os Estados,
perdas inevitáveis. Para pastores, podridão. Para lavradores, estações
desafortunadas. Para navegadores, traria tempestades. Para cidades, revoltas
civis. Mas para uma criança, o cometa não era nem um pouco assustador. Para
ele, era algo de se admirar.
Como todos nós,
Edmond Halley nasceu curioso. Minha nossa! Ele teve sorte em ter um pai que
encorajava e nutria sua curiosidade, comprando os melhores instrumentos científicos
e até financiando sua expedição para fazer o primeiro mapa estelar preciso do
Hemisfério Sul.
Halley saiu de
Oxford com 20 anos e navegou para Sta. Helena, uma ilha abaixo do Equador, na
costa oeste da África. Minha nossa. O problema era que ninguém havia dito a
Halley que o tempo em Sta. Helena era geralmente péssimo. Levou 12 frustrantes
meses para observar estrelas do sul o bastante para fazer um mapa completo. Os
deuses e heróis da antiga Grécia agora estavam juntos com figuras místicas de
um novo mundo e um nova era: um tucano, um compasso, uma ave-do-paraíso. Quando
Halley chegou em casa com a outra metade do céu, o mapa dele criou uma onda. Agora,
mercadores e exploradores podiam navegar pelas estrelas visíveis em qualquer
lugar da Terra. Nessa época, a Sociedade Mundial de Londres era a câmara de
compensação da descoberta científica. Seu lema, "Nullius in verba", resume
o coração do método científico. Do latim, "veja por si mesmo". Em
outras palavras, "questione a autoridade".
O mapa de
Halley chamou a atenção do curador de experimentos da Sociedade. Eu o mostraria
a você, se pudesse, mas não existem retratos de Robert Hooke, apenas a descrição
verbal de seus contemporâneos. O definiam como "magro, corcunda,
feio". Foi, possivelmente, a pessoa mais criativa que já viveu. E apesar
de sua aparência, foi o convidado mais procurado para as festas em Londres. Por
quê?
A insaciável curiosidade de Hooke
englobava absolutamente tudo. Hooke descobriu um pequeno cosmos, e ainda o
chamamos pelo nome que ele deu: a célula. Hooke descobriu a célula olhando um
pedaço de cortiça com uma de suas invenções: o microscópio composto. Ele
antecipou aspectos da Teoria da Evolução de Darwin por quase 200 anos. Hooke
também aprimorou o telescópio.
Os desenhos
que fez de corpos astronômicos que observou Atestam sua misteriosa precisão. Depois
que o Grande Incêndio destruiu Londres em 1666, Hooke fez uma parceria com o
arquiteto Christopher Wren para redesenhar e reconstruir a cidade. Hooke foi o
mais importante experimentalista de sua era. Usando molas em espiral, criou a
lei da elasticidade, conhecida hoje como a Lei de Hooke. Aperfeiçoou a bomba de
ar, o ápice da tecnologia de sua época, e usou para experimentos com respiração
e som. Fez experimentos com Cannabis. Ele reportou em uma reunião da Sociedade
Real que um capitão de mar, amigo dele, "tinha experimentado tantas vezes,
que não havia o que temer embora seja possível causar risadas."
Mas café era a
droga preferidada Inglaterra no século XVII. Cafeterias se espalhavam por toda
Londres. Era onde as pessoas iam para buscar notícias, iniciar novos negócios e
debater ideias. A cafeteria era um oásis de igualdade em uma sociedade obcecada
por classes. Aqui, um homem pobre não precisava ceder seu assento a um rico, nem
submeter-se à sua opinião. Era um tipo de laboratório da democracia. Nesta
atmosfera altamente cafeínada, Halley e Hooke encontraram-se com Christopher
Wren para discutir um mistério profundo.
Por que planetas se movem da
maneira como fazem?
O astrônomo Johannes Kepler tinha
demonstrado há uns 80 anos que as órbitas dos planetas ao redor do Sol não eram
círculos perfeitos, mas, na realidade, elipses, e quanto mais próximo o planeta
estivesse do Sol, mais rápido se movia.
Por quê?
Poderia uma força invisível do
Sol ser responsável por esta mudança na velocidade do movimento? Se sim, como
funcionava?
Poderia haver uma simples lei
matemática para descrevê-la?
Talvez algo como a Lei de Hooke para
a elasticidade?
Talvez.
Mas por mais que tentasse, Christopher
Wren não pôde descobrir.
Como se eu não tivesse tentado.
Está acima de mim. Aposto um
livro no valor de 40 xelins ao homem que puder resolver!
Esse livro é meu, Sr. Wren. Já
fiz os cálculos.
Halley ficou encantado.
Mostre-nos, Sr. Hooke.
Mas meses se passaram, e Hooke
falhou em entregar. Ele não conseguia fazer a conta. Nenhum deles conseguia.
Finalmente, Halley se fartou das
desculpas de Hooke.
Halley sabia que devia haver alguém
em algum lugar à altura do desafio.
Que tal aquele matemático em
Cambridge?
Sujeito esperto.
Resolveu questões centrais sobre
a natureza da luz há anos, quando tinha apenas 22 anos. E inventou o telescópio
refletor. Pássaro estranho. Saiu de cena um tempo atrás, alguma disputa com
Hooke e sua descoberta sobre a luz. Ficou destroçado, e desde então se esconde
em Cambridge. Halley imaginou se este estranho e, pelo que diziam, extremamente
difícil de lidar, poderia ter sucesso onde Hooke e outros falharam.
O que ele não
sabia, o que ninguém poderia imaginar na época, eram as incontáveis maneiras de
como o mundo mudaria por causa desse encontro em um dia de agosto de 1684.
Isaac Newton
nasceu na Inglaterra no dia de Natal em 1642. Antes de abrir os olhos, seu pai
já havia falecido. Sua mãe o deixou quando tinha apenas três anos e não voltou até
que ele tivesse 11. Quando voltou, estava com uma nova família e marido, um
padrasto, que Isaac Newton desprezava. O refúgio de Newton de sua vida miserável
em família era a paixão por entender como as coisas funcionavam, especialmente a
natureza em si.
Em 1661, o
talentoso Isaac entrou para a Trinity College na Universidade de Cambridge, onde
foi um péssimo aluno, sem amigos ou família para dar-lhe carinho ou coragem. Newton
sempre se isolou dentro de seu quarto, estudando antigos filósofos Gregos, geometria,
outras línguas e refletindo sobre perguntas profundas sobre a natureza da matéria,
espaço, tempo e movimento.
Esse cientista
também foi um apaixonado por mística. Newton acreditava que um conhecimento
secreto, chamado alquimia, conhecido por um pequeno grupo de antigos filósofos,
estava esperando para ser redescoberto. Ele esperava aprender como transformar
metais simples em prata ou ouro, e até produzir o elixir da vida, a chave para
a imortalidade. Ele também era obcecado em descobrir mensagens ocultas nas
palavras da Bíblia. Procurou em várias traduções de línguas diferentes, esperando
descobrir mensagens criptografadas de Deus. Fez cálculos elaborados querendo
descobrir a data do Segundo Advento. Sua pesquisa sobre alquimia e a cronologia
bíblica não teve resultados concretos.
Quando Halley
achou Newton naquele dia fatídico, ele estava vivendo como um recluso. Newton
começou a se esconder treze anos antes, depois que Robert Hooke acusou Newton
publicamente de roubar seu trabalho inovador sobre luz e cores. Na verdade, foi
Isaac Newton que desvendou o mistério do espectro visível, não Robert Hooke. A
ferida foi dolorosa e profunda, e Newton decidiu nunca mais se expôr a tal
humilhação. Senhor, acho que não se lembra do nosso encontro há alguns anos?
-Sim, Sr. Halley.
-Desculpe-me por perturbá-lo.
Esqueça as formalidades, vá ao
assunto.
Estive conversando com nossos amigos,
Sr. Wren e Sr. Hooke.
Aquele canalha do Hooke não é meu
amigo.
Sim, eu entendo, senhor.
Mas é que estivemos discutindo sobre
o movimento planetário. Concordamos que alguma força de atração do Sol Coordena
o movimento dos planetas. Suspeitamos que haja uma lei matemática para
descrever como essa força se altera com a distância. -E sabendo de suas aptidões...
-Sim, a atração gravitacional se
enfraquece ao quadrado da distância. É por isso que os planetas se movem em
elipses.
-Mas como pode saber disso?
-Eu calculei isso há uns 5 anos.
Eu imploro, mostre-me.
O cálculo está aqui em algum
lugar. Não importa. Irei refazê-lo e enviarei para você.
Isso é magnífico! Como nunca
soubemos antes?
Newton se lembrava muito bem do
que Hooke fez com ele da última vez que ele propôs uma ideia. Só quando Halley começou
a se perguntar se Newton estava blefando, assim como Hooke fez antes, um
mensageiro chegou com um envelope de Newton.
Aqui estão as primeiras páginas da
ciência moderna.
Com sua visão abrangente da
natureza, leis universais de movimento, gravidade...
Não só para a Terra, mas para o
universo.
Halley correu de volta para
Cambridge. Sr. Newton, peço-vos para transcrever tudo isso em um livro o mais rápido
possível. Posso assegurá-lo que a Sociedade Real publicará.
Mas havia um pequeno problema. Todos
concordamos que o Sr. Newton produziu uma obra prima. Porém, temo que a
Sociedade Real não tenha vendido o que esperava com o livro "História dos
Peixes". É um livro impressionante. Extremamente abrangente.
Sem dúvida.
É cheio de ilustrações pródigas
de... bem, peixes. As vendas decepcionantes levaram a um problema maior. A
Sociedade Real estourou o orçamento anual com "História dos Peixes". Na
verdade, estavam precisando tanto de dinheiro, que tiveram que pagar o salário
do Halley com cópias do livro de pior venda.
Sem dinheiro para imprimir o
"Principia" de Newton, a revolução científica estava em jogo. Sem os
esforços heroicos de Halley, a obra prima do isolamento de Newton poderia nunca
ter sido publicada.
Mas Halley tinha uma missão, absolutamente
determinado a levar as ideias de Newton. ao mundo. Aquele mundo pré-científico,
dominado pelo medo, foi colocado à beira de uma revolução. Tudo dependia se
Halley conseguiria ou não levar o livro de Newton para todo o mundo. Halley
resolveu não só editar o livro de Newton, mas publicá-lo com seu próprio
dinheiro. Newton terminou os dois primeiros volumes, Introduzindo a estrutura
matemática na física do movimento. O terceiro volume resolveria de uma vez por
todas quem ganhou a aposta da cafeteria.
Newton aplicou
seus princípios para explicar todos movimentos conhecidos da Terra, da Lua e
dos planetas. Infelizmente, tinha um
problema. Agora, Halley também era o psicólogo de Newton. Isaac, temo que o Sr.
Hooke requer um reconhecimento no prefácio do seu terceiro volume. Mas eu fiz.
Eu agradeci a ele, ao Sr. Wren e a você por me fazerem pensar de novo sobre
assuntos astronômicos. O Sr. Hooke tem falado em Londres que você roubou dele a
ideia da Lei da Gravitação.
Aquele litigioso... Nunca!
Eu prefiro queimar o terceiro
volume que desfigurá-lo com tal mentira.
Esqueça o Hooke. Ele será
esquecido enquanto suas ideias serão celebradas.
Mais cópias desse livro terrível?
Onde vamos colocá-los?
Já conversamos sobre isso, Mary,
querida. É o meu salário da Sociedade. Eles não têm outra coisa para me pagar. Se
pelo menos o Sr. Hooke e o Sr. Newton fossem como você.
Halley e Wren decidiram confrontar
Hooke sobre suas falsas reinvindicações.
Aquela lei é minha, eu digo! Eu a
provei primeiro.
Então, mostre sua prova. Deixe-nos
ver.
Certamente já esperamos tempo
suficiente.
Você simplesmente terá que
acreditar no que eu digo.
Alegações vazias podem persuadir
em outros lugares, mas não aqui.
Mostre ou cale-se, Sr. Hooke.
Maldito Newton. Ele irá pagar por
isso.
Se não fosse por Edmond Halley, o
grande livro de Newton não teria sido concebido, escrito, nem impresso.
Certo. E daí?
Que diferença isso faz para nós?
Qual é o grande feito?
Quando Isaac
Newton nasceu nessa casa em 1642, o mundo era muito diferente. Todos viam a
perfeição do movimento planetário no céu como um relógio, que só poderia ter
sido o trabalho de um relojoeiro.
Como mais explicar isso?
Só existia um
jeito para essas coisas acontecerem. Em suas mentes havia apenas uma resposta: Deus.
Por razões além de nossa compreensão, Deus apenas criou o Sistema Solar daquele
jeito. Mas esta explicação é o fechamento de uma porta. Não leva a outras
perguntas.
E junto veio
Newton, um homem que amava Deus e era um gênio. Ele podia escrever as leis da
natureza em equações matemáticas perfeitas. Fórmulas que se aplicam universalmente
em maçãs, luas, planetas e muito mais. Com um pé ainda na Idade Média, Isaac
Newton imaginou todo o Sistema Solar. As leis de Newton da gravitação e
movimento revelaram como o Sol segurava mundos distantes. Suas leis deixaram de
lado a necessidade de um relojoeiro para explicar a precisão e a beleza do
Sistema Solar. A gravidade é o relojoeiro.
A matéria
obedecia mandamentos que pudemos descobrir, leis que a Bíblia não mencionou. A
resposta de Newton para por que o sistema solar é do jeito que é abriu o
caminho para infinitas perguntas. "Principia" também incluía a invenção
do cálculo, e a primeira base teórica sólida para o fim da nossa prisão na
Terra: viagem espacial. Newton imaginou o disparo de uma bala de canhão com
impulsos cada vez maiores. Ele argumentou que, com velocidade suficiente, os
limites da gravidade poderiam ser quebrados, e a bala de canhão poderia orbitar
a Terra.
Isso mudou tudo.
O "Principia
Mathematica" nos liberta de outra forma. Ao encontrar as leis naturais que
regem as idas e vindas dos cometas, dissociando os movimentos dos céus das
antigas conexões com nossos medos. Se Halley não estivesse todos esses anos ao
lado de Newton, talvez o mundo lembrasse de suas realizações e descobertas.
Mas o que vem à
mente da maioria das pessoas é o cometa. A ironia é que a descoberta de um
cometa foi uma das poucas coisas que Halley nunca fez. Após a publicação do
"Principia", Halley liderou três viagens oceânicas, expedições para
resolver problemas de navegação. Halley aproveitou essa oportunidade para fazer
o primeiro mapa do campo magnético da Terra. Era também um homem de negócios. Halley
aperfeiçoou o sino de mergulho... e usou sua invenção para iniciar operações de
salvamento comerciais.
Dr. Halley se foi desta vez. Ele
está lá embaixo há pelo menos três horas. Para não arriscar vidas alheias, Halley
pessoalmente testou sua invenção. Faz exatamente quatro horas desde nosso
mergulho. Nada mal para 18 metros.
Ele inventou o mapa meteorológico.
E os símbolos que ele criou para indicação dos ventos são usados até hoje.
Halley lançou as bases das estatísticas
demográficas.
Como?
Ele comparou nascimentos, casamentos,
mortes, e densidades populacionais de Londres e Paris. Percorreu o perímetro de
Paris a pé, para saber suas verdadeiras dimensões. Ele chegou à conclusão de
que metade dos adultos não conseguem reproduzir, isso se sobreviverem para
reproduzir. Então cada casal deveria ter quatro filhos, a fim de manter a
população. E foi Edmond Halley que nos deu a real escala do Sistema Solar. Ele
descobriu uma maneira de encontar a distância da Terra ao Sol. Tratava-se de
medir com precisão o tempo que levava para o planeta Vênus cruzar o diâmetro do
Sol. 27 após a morte de Halley, Capitão James Cook fez sua primeira viagem ao
Taiti com o objetivo de testar o método de Halley, durante a transição de Vênus
pelo sol. Usando um filtro especial para proteger a sua visão de ser destruída
por olhar diretamete ao Sol, Cook e seus homens descobriram que o Sol está a 149
milhões de quilômetros da Terra.
Halley foi o
primeiro a perceber que as chamadas "estrelas fixas" não eram fixas. Como
ele percebeu? Utilizando observações feitas pelos antigos astrônomos gregos das
estrelas mais brilhantes. Comparou essas observações com as que ele mesmo fez, 1.800
anos depois. Por que ninguém notou isso antes?
Halley
descobriu que as coisas só se tornam aparentes se houver muito tempo entre as
observações. É difícil perceber o movimento de objetos muito afastados. E as
estrelas estão tão distantes que precisaria rastreá-las por muitos séculos antes
de perceber que elas se movem. Halley descobriu o primeiro indício de uma
realidade magnífica: Todas as estrelas se movem, fluindo uma sobre a outra. Subindo
e descendo como cavalos de um carrossel em sua dança Newtoniana ao redor de
nossa galáxia. E, sim. Aí está algo sobre os cometas. O que eram aquelas belas e
estranhas visitas celestiais que apareciam sem aviso de tempo em tempo? Halley
se propôs a resolver o mistério como um detetive, reunindo testemunhas oculares
confiáveis. A primeira observação precisa de um cometa que Halley poderia
encontrar foi feita em Constantinopla por Nikephoros Gregoras, um monge e astrônomo
Bizantino, em junho de 1337. Halley procurava por cada observação astronômica de
um cometa registrada na Europa entre 1472 e 1698. E lembre-se, não existiam mecanismo
de busca e computador.Tudo o que Halley tinha eram livros e sua mente. Agora
vem a parte difícil. Halley pegou as observações feitas para cada cometa e
encontrou a forma de seus caminhos pelo espaço. E somente Newton tinha tentado aplicar
seu conjunto de leis a uma questão astronômica. Em uma árdua viagem de força e
brilhantismo matemático, Halley descobriu que os cometas estavam ligados ao Sol
em longas órbitas elípticas. E ele foi o primeiro a entender que os cometas
vistos em 1531, 1607 e 1682 eram o mesmo. Um único cometa que retornava a cada
76 anos. Em um impressionante exemplo de reconhecimento de padrões, ele previu que
seria visto novamente mais de 50 anos no futuro.
Por milênios, os cometas eram
suporte para místicos que os consideravam presságios de eventos humanos. Halley
destruiu seu monopólio derrotando-os com seu próprio jogo. Um jogo que nenhum
cientista havia jogado antes. Profecia. E ele não limitou sua aposta. Halley
afirmou categoricamente que o cometa iria voltar ao final de 1758, de uma parte
específica do céu seguindo um caminho específico. Dificilmente se encontra uma
profecia mística com uma precisão minimamente comparável. Este é o Cometa
Halley.
Aqui na borda do Sistema Solar não
parece muita coisa. Somente um grande pedaço de gelo e rocha no espaço. Isso
porque além da órbita de Netuno, aproximadamente a 5 bilhões de quilômetros do
Sol, os cometas levam uma vida bem tranquila. Ao atingir o final de sua órbita,
desacelera até que o Sol não o permita ir mais longe. Então começa uma longa
queda de volta ao interior do Sistema Solar. O Cometa está em queda livre em
torno do Sol. Tudo no nosso Sistema Solar: a Terra, a Lua, os outros planetas,
cometas, asteroides, todos eles, estão em queda ao redor do Sol. A gravidade
puxa os planetas em direção ao Sol mas devido ao seu momento angular, continuam
se movendo ao redor do Sol nunca caindo em seu interior. Robert Hooke havia
morrido anos antes, arruinando sua saúde com maus hábitos. Doses diárias de
absinto, ópio, mercúrio. Poucos meses depois, Newton foi eleito para substituí-lo
na presidência da Sociedade Real. Dizem que um retrato de Hooke já esteve
naquelas paredes. Halley viveu para concluir muito mais feitos surpreendentes e
trabalhou até sua morte, aos 85 anos. Seu último pedido foi uma taça de vinho que
ele tomou com prazer e deu seu último suspiro. Alguns acreditam que numa noite
como esta Isaac Newton finalmente obteve sua vingança contra Robert Hooke. Mas
a profecia de Halley não foi esquecida. 50 anos depois, com sua volta prevista se
aproximando, astrônomos de todo o mundo lutavam para ser o primeiro a avistar o
cometa.
E não se desapontaram. Ele tem
sido recebido a cada 76 anos desde então. Quando o Cometa Halley retornar à
nossa atmosfera a luz solar aquecerá o gelo em sua superfície mais uma vez liberando
poeira e gases nele contidos.
A visita do Cometa Halley mais
recente à nossa vizinhança foi em 1986. E se você ver isto em 2061, saberá que
ele está de volta. Que você sinta a admiração de todos aqueles antes de você e
nenhum medo. As Leis de Newton possibilitaram que Edmond Halley visse 50 anos
no futuro, e a predizer o comportamento de um único cometa.Os cientistas usam
estas leis desde então, abrindo caminho para a Lua e além do nosso Sistema
Solar. O bebê na cesta está aprendendo a caminhar e a conhecer o cosmos.
O que me traz a uma última
profecia. Usando somente a Lei da Gravitação de Newton, nós, astrônomos, podemos
prever com confiança que daqui a bilhões de anos a nossa galáxia, a Via Láctea,
irá se fundir com nossa galáxia vizinha: Andrômeda.
Como a distância entre as
estrelas é muito maior do que seus tamanhos, poucas ou nenhuma estrela destas
galáxias irão realmente colidir. Qualquer vida nos mundos deste futuro distante
deverá estar segura, mas será presenteada com um fantástico show de luz de bilhões
de anos. Uma dança de meio trilhão de estrelas para uma música ouvida primeiro em
um pequeno mundo por um homem que tinha apenas um amigo verdadeiro.