sexta-feira, 28 de novembro de 2014

SOBRE A LIBERDADE

Por Albert Einstein

Sei que é inútil tentar discutir os juízos de valores fundamentais. Se
alguém aprova como meta, por exemplo, a eliminação da espécie
humana
da face da Terra, não se pode refutar esse ponto de vista em bases
racionais. Se houver porém concordância quanto a certas metas e
valores, é possível discutir racionalmente os meios pelos quais esses
objetivos podem ser atingidos. Indiquemos, portanto, duas metas com
que certamente estarão de acordo quase todos os que lêem estas linhas.

1. Os bens instrumentais que servem para preservar a vida e a saúde de
todos os seres humanos devem ser produzidos mediante o menor
esforço
possível de todos.

2. A satisfação de necessidades físicas é por certo a precondição
indispensável de uma existência satisfatória, mas em si mesma não é
suficiente. Para se realizar, os homens precisam ter também a
possibilidade de desenvolver suas capacidades intelectuais artísticas
sem limites restritivos, segundo suas características e aptidões
pessoais.

A primeira dessas duas metas exige a promoção de todo conhecimento
referente às leis da natureza e dos processos sociais, isto é, a
promoção de todo esforço científico. Pois o empreendimento
científico é um todo natural, cujas partes se sustentam mutuamente de uma
maneira que certamente ninguém pode prever.
Entretanto, o progresso da ciência pressupõe a possibilidade de
comunicação irrestrita de rodos os resultados e julgamentos -
liberdade de expressão e ensino em todos os campos do esforço
intelectual. Por liberdade, entendo condições sociais, tais que, a
expressão de opiniões e afirmações sobre questões gerais e
particulares do conhecimento não envolvam perigos ou graves
desvantagens para seu autor. Essa liberdade de comunicação é
indispensável para o desenvolvimento e a ampliação do conhecimento
científico, aspecto de grande importância prática. Em primeiro lugar,
ela deve ser assegurada por lei. Mas as leis por si mesmas não podem
assegurar a liberdade de expressão; para que todo homem possa expor
suas idéias sem ser punido, deve haver um espírito de tolerância em
toda a população. Tal ideal de liberdade externa jamais poderá ser
plenamente atingido, mas deve ser incansavelmente perseguido para
que o pensamento científico e o pensamento filosófico, e criativo em
geral, possam avançar tanto quanto possível.
Para que a segunda meta, isto é, a possibilidade de desenvolvimento
espiritual de todos os indivíduos, possa ser assegurada, é necessário
um segundo tipo de liberdade externa. O homem não deve ser obrigado
a trabalhar para suprir as necessidades da vida numa intensidade tal que
não lhe restem tempo nem forças para as atividades pessoais. Sem este
segundo tipo de liberdade externa, a liberdade de expressão é inútil
para ele. Avanços na tecnologia tornariam possível esse tipo de
liberdade, se o problema de uma divisão justa do trabalho fosse
resolvido.
O desenvolvimento da ciência e das atividades criativas do espírito em
geral exige ainda outro tipo de liberdade, que pode ser caracterizado
como liberdade interna. Trata-se daquela liberdade de espírito que
consiste na independência do pensamento em face das restrições de
preconceitos autoritários e sociais, bem como, da "rotinização" e do
hábito irrefletidos em geral. Essa liberdade interna é um raro dom da
natureza e uma valiosa meta para o indivíduo. No entanto, a
comunidade
pode fazer muito para favorecer essa conquista, pelo menos, deixando
interferir no desenvolvimento da liberdade interna mediante
influências autoritárias e a imposição de cargas espirituais aos
jovens excessivas; por outro lado, as escolas podem favorecer essa
liberdade, incentivando o pensamento independente. Só quando a
liberdade externa e interna são constantes e conscienciosamente
perseguidas há possibilidade de desenvolvimento e aperfeiçoamento
espiritual e, portanto, de aprimorar a vida externa e interna do
homem.




Albert Einstein
Ciência e Religião

Parte I

Durante o século passado e em parte do que o precedeu, a
existência de um conflito insolúvel entre conhecimento e
crença foi amplamente sustentada. Prevalecia entre mentes
avançadas a opinião de que chegara a hora de substituir,
cada vez mais, a crença pelo conhecimento; toda crença que
não se fundasse ela própria em conhecimento era superstição
e, como tal, devia ser combatida. Segundo essa concepção, a
função exclusiva da educação seria abrir caminho para o
pensamento e o conhecimento, devendo a escola, como o órgão
por excelência para a educação do povo, servir
exclusivamente a esse fim.
É provável que raramente, ou mesmo nunca, possamos encontrar
o ponto de vista racionalista expresso com tanta crueza;
pois todo homem sensível veria de imediato o quanto essa
formulação é tendenciosa. Mas é conveniente formular uma
tese de maneira nua e crua quando se quer aclarar a própria
mente com relação a sua natureza.
É verdade que a experiência e o pensamento claro são a
melhor maneira de fundamentar as convicções. Quanto a isto,
podemos concordar irrestritamente com o racionalista
extremado. O ponto fraco dessa concepção, contudo, e que as
convicções necessárias e determinantes para nossa conduta e
nossos juízos não podem ser encontradas unicamente nessa
sólida via cientifica.
Pois o método cientifico não nos pode ensinar outra coisa
além do modo como os fatos se relacionam e são condicionados
uns pelos outros. A aspiração a esse conhecimento objetivo
está entre as mais elevadas de que o homem e capaz, e
certamente ninguém pode suspeitar que eu deseje subestimar
as realizações e os heróicos esforços do homem nessa esfera.
É igualmente claro, no entanto, que o conhecimento do que é,
não abre diretamente a porta para o que deve ser. Podemos
ter o mais claro e completo conhecimento do que é, sem
contudo sermos capazes de deduzir disso qual deveria ser a
meta de nossas aspirações humanas. O conhecimento objetivo
nos fornece poderosos instrumentos para atingir certos fins,
mas a meta final em si é a mesma, e o desejo de atingi-la
devem emanar de outra fonte. E é praticamente desnecessário
defender a idéia de que nossa existência e nossa atividade
só adquirem 'sentido' mediante o estabelecimento de uma meta
como essa e dos valores correspondentes. O conhecimento da
verdade como tal é maravilhoso, mas é tão pouco capaz de
servir de guia que não consegue provar sequer a justificação
e o valor da aspiração a esse mesmo conhecimento da verdade.
Aqui defrontamos, portanto, com os limites da concepção
puramente racional de nossa existência.
Mas não se deve presumir que o pensamento inteligente não
possa desempenhar nenhum papel na formação da meta e de
juízos éticos. Quando alguém se dá conta de que certo meio
seria útil para a consecução de um fim, isto faz com que o
próprio meio se torne um fim. A inteligência elucida para
nós a inter-relação entre meios e fins. O mero pensamento
não pode, contudo, nos dar uma consciência dos fins últimos
e fundamentais. Elucidar esses fins e valores fundamentais é
engastá-los firmemente na vida emocional do indivíduo;
parece-me, precisamente, a mais importante função que a
religião tem a desempenhar na vida social do homem. E se
lguém pergunta de onde provém a autoridade desses fins
fundamentais, já que eles não podem ser formulados e
justificados puramente pela razão, só há uma resposta: eles
existem numa sociedade saudável na forma de tradições
vigorosas, que agem sobre a conduta, as aspirações e os
juízos dos indivíduos; eles existem, isto é, vivem dentro
dela, sem que seja preciso encontrar justificação para sua
existência. Nascem, não através da demonstração, mas da
revelação, por meio de personalidades excepcionais. Não se
deve tentar justificá-los, mas antes, sentir, simples e
claramente, sua natureza. Os mais elevados princípios para
nossas aspirações e juízos nos são dados pela tradição
religiosa judáico-cristã. Trata-se de uma meta muito
elevada, que, com nossos parcos poderes, só podemos atingir
de maneira muito insatisfatória, mas que da um sólido
fundamento a nossas aspirações e avaliações. Se quiséssemos
tirar essa meta de sua forma religiosa e considerar apenas
seu aspecto puramente humano, talvez pudéssemos formulá-la
assim: desenvolvimento livre e responsável do indivíduo, de
modo que ele possa por suas capacidades, com liberdade e
alegria a serviço de toda a humanidade.
Não há lugar nisso para a divinização de uma nação, de uma
classe, nem muito menos de um indivíduo. Não somos todos
filhos de um só pai, como se diz na linguagem religiosa? Na
verdade, mesmo a divinização da humanidade, como totalidade
abstrata, não estaria no espírito desse ideal. E somente ao
indivíduo que é dada uma alma. E o 'sublime' destino do
indivíduo é antes servir que comandar, ou impor-se de
qualquer outra maneira.
Se considerarmos mais a substância que a forma, poderemos
ver também nestas palavras a expressão da postura
democrática fundamental. Ao verdadeiro democrata e tão
inviável idolatrar sua nação quanto ao homem religioso, no
sentido que damos ao termo.
Qual será então, em tudo isto, a função da educação e da
escola? Elas devem ajudar o jovem a crescer num espírito tal
que esses princípios fundamentais sejam para ele como o ar
que respira. O mero ensino não pode fazer isso.
Se mantemos esses princípios elevados claramente diante de
nossos olhos, e os comparamos com a vida e o espírito de
nosso tempo, revela-se flagrantemente que a própria
humanidade civilizada encontra-se, neste momento, em grave
perigo. Nos Estados totalitários, são os próprios
governantes que se empenham hoje em destruir esse espírito
de humanidade. Em lugares menos ameaçados, são o
nacionalismo e a intolerância, bem com a opressão dos
indivíduos por meios econômicos, que ameaçam sufocar essas
tão preciosas tradições.
A clareza da enormidade do perigo está se difundindo, no
entanto, entre as pessoas que pensam, e há uma grande
procura de meios que permitam enfrentar o perigo - meios no
campo da política nacional e internacional, da legislação,
da organização em geral. Esses esforços são, sem dúvida,
extremamente necessários. Contudo, os antigos sabiam algo
que parecemos ter esquecido. "Todos os meios mostram-se um
instrumento grosseiro quando não tem atrás de si um espírito
vivo". Se o desejo de alcançar a meta estiver vigorosamente
vivo dentro de nós, porém, não nos faltarão forças para
encontrar os meios de alcançar a meta e traduzi-la em atos.





Parte II

Não seria difícil chegar a um acordo quanto ao que
entendemos por ciência. Ciência é o esforço secular de
reunir, através do pensamento sistemático, os fenômenos
perceptíveis deste mundo, numa associação tão completa
quanto possível. Falando claramente, é a tentativa de
reconstrução posterior da existência pelo processo da
conceituação. Mas, quando pergunto a mim mesmo o que é a
religião, a resposta não me ocorre tão facilmente. E, mesmo
depois de encontrar uma resposta que possa me satisfazer num
momento particular, continuo convencido de que nunca
consigo, em nenhuma circunstância, criar um acordo, mesmo
que muito limitado, entre todos os que refletem seriamente
sobre essa questão.
De início, portanto, em vez de perguntar o que é religião,
eu preferiria indagar o que caracteriza as aspirações de uma
pessoa que me dá a impressão de ser religiosa: uma pessoa
religiosamente esclarecida parece-me ser aquela que, tanto
quanto lhe foi possível, libertou-se dos grilhões, de seus
desejos egoístas e está preocupada com pensamentos,
sentimentos e aspirações a que se apega em razão de seu
valor suprapessoal. Parece-me que o que importa é a força
desse conteúdo suprapessoal, e a profundidade da convicção
na superioridade de seu significado, quer se faça ou não
alguma tentativa de unir esse conteúdo com um Ser divino,
pois, de outro modo, não poderíamos considerar Buda e
Spinoza como personalidades religiosas. Assim, uma pessoa
religiosa é devota no sentido de não ter nenhuma dúvida
quanto ao valor e eminência dos objetivos e metas
suprapessoais que não exigem nem admitem fundamentação
racional. Eles existem, tão necessária e corriqueiramente
quanto ela própria. Nesse sentido, a religião é o
antiquíssimo esforço da humanidade para atingir uma clara e
completa consciência desses valores e metas e reforçar e
ampliar incessantemente seu efeito. Quando concebemos a
religião e a ciência segundo estas definições, um conflito
entre elas parece impossível. Pois a ciência pode apenas
determinar o que é, não o que deve ser, está fora de seu
domínio, todos os tipos de juízos de valor continuam sendo
necessários. A religião, por outro lado, lida somente com
avaliações do pensamento e da ação humanos: não lhe é lícito
falar de fatos e das relações entre os fatos. Segundo esta
interpretação, os famosos conflitos ocorridos entre religião
e ciência no passado devem ser todos atribuídos a uma
apreensão equivocada da situação descrita.
Um conflito surge, por exemplo, quando uma comunidade
religiosa insiste na absoluta veracidade de todos os relatos
registrados na Bíblia. Isso significa uma intervenção da
religião na esfera da ciência; é aí que se insere a luta da
Igreja contra as doutrinas de Galileu e Darwin. Por outro
lado, representantes da ciência tem constantemente tentado
chegar a juízos fundamentais com respeito a valores e fins
com base no método científico, pondo-se assim em oposição a
religião. Todos esses conflitos nasceram de erros fatais.
Ora, ainda que os âmbitos da religião e da ciência sejam em
si claramente separados um do outro, existem entre os dois
fortes relações recíprocas e dependências. Embora possa ser
ela o que determina a meta, a religião aprendeu com a
ciência, no sentido mais amplo, que meios poderão contribuir
para que se alcancem as metas que ela estabeleceu. A
ciência, porém, só pode ser criada por quem esteja
plenamente imbuído da aspiração e verdade, e ao
entendimento. A fonte desse sentimento, no entanto, brota na
esfera da religião. A esta se liga também a fé na
possibilidade de que as regulações válidas para o mundo da
existência sejam racionais, isto é, compreensíveis à razão.
Não posso conceber um autêntico cientista sem essa fé
profunda. A situação pode ser expressa por uma imagem: a
ciência sem religião e aleijada, a religião sem ciência e
cega.
Embora eu tenha afirmado acima que um conflito legítimo
entre religião e ciência não pode existir verdadeiramente,
devo fazer uma ressalva a esta afirmação, mais uma vez, num
ponto essencial, com referencia ao conteúdo efetivo das
religiões históricas. Esta ressalva tem a ver com o conceito
de Deus. Durante o período juvenil da evolução espiritual da
humanidade, a fantasia humana criou a sua própria imagem
'deuses' que, por seus atos de vontade, supostamente
determinariam ou, pelo menos, influenciariam o mundo
fenomênico. O homem procurava alterar a disposição desses
deuses a seu próprio favor, por meio da magia e da prece. A
idéia de Deus, nas religiões ensinadas atualmente, é uma
sublimação dessa antiga concepção dos deuses. Seu caráter
antropomórfico se revela, por exemplo, no fato de os homens
recorrerem ao Ser Divino em preces, a suplicarem a
realização de seus desejos.
Certamente, ninguém negará que a idéia da existência de um
Deus pessoal, onipotente, justo e todo-misericordioso é
capaz de dar ao homem consolo, ajuda e orientação; e também,
em virtude de sua simplicidade, acessível as mentes menos
desenvolvidas. Por outro lado, porem, esta idéia traz em si
aspectos vulneráveis e decisivos, que se fizeram sentir
penosamente desde o início da história. Ou seja, se esse ser
é onipotente, então tudo o que acontece, aí incluídos cada
ação, cada pensamento, cada sentimento e aspiração do homem,
é também obra Sua; nesse caso, como é possível pensar em
responsabilizar o homem por seus atos e pensamentos perante
esse Ser 'todo-poderoso'? Ao distribuir punições e
recompensas, Ele estaria, até certo ponto, julgando a Si
mesmo. Como conciliar isso com a bondade e a justiça a Ele
atribuídas?
A principal fonte dos conflitos atuais entre as esferas da
religião e da ciência reside nesse conceito de um Deus
pessoal. A ciência tem por objetivo estabelecer regras
gerais que determinem a conexão recíproca de objetos e
eventos no tempo e no espaço. A validade absolutamente geral
dessas regras, ou leis da natureza, e algo que se pretende -
mas não se prova. Trata-se sobretudo de um projeto, e a
confiança na possibilidade de sua realização, por princípio,
funda-se apenas em sucessos parciais. Seria difícil, porém,
encontrar alguém que negasse esses sucessos parciais e os
atribuísse a ilusão humana. O fato de sermos capazes, com
base nessas leis, de predizer o comportamento temporal dos
fenômenos de certos domínios, com grande precisão e certeza,
está profundamente enraizado na consciência do homem
moderno, ainda que possamos ter apreendido muito pouco do
conteúdo dessas leis. Basta considerarmos que as trajetórias
planetárias do sistema solar podem ser antecipadamente
calculadas, com grande exatidão, com base num número
limitado de leis simples. De maneira similar, embora não com
a mesma precisão, é possível calcular antecipadamente o modo
de funcionamento de um motor elétrico, de um sistema de
transmissão ou de um aparelho de rádio, mesmo quando estamos
lidando com uma invenção inédita.
É bem verdade que, quando o número de fatores em jogo num
complexo fenomenólogico é grande demais, o método científico
nos decepciona na maioria dos casos. Basta pensarmos nas
condições do tempo, cuja previsão, mesmo para alguns dias à
frente, é impossível. Ninguém duvida, contudo, de que
estamos diante de uma conexão causal cujos componentes
causais nos são essencialmente conhecidos. As ocorrências
nessa esfera estão fora do alcance da predição exata por
causa da multiplicidade de fatores em ação, e não por alguma
falta de ordem na natureza.
Penetramos muito menos profundamente nas regularidades que
prevalecem no âmbito das coisas vivas, mas o suficiente, de
todo modo, para pelo menos perceber a existência de uma
regra necessária. Basta pensarmos na ordem sistemática
presente na hereditariedade e no efeito que provocam os
venenos - como o álcool, por exemplo - no comportamento dos
seres orgânicos. O que ainda falta aqui é uma compreensão de
caráter profundamente geral das conexões, não um
conhecimento da ordem enquanto tal.
Quanto mais o homem esta imbuído da regularidade ordenada de
todos os eventos, mais firme se torna sua convicção de que
não sobra lugar, ao lado dessa regularidade ordenada, para
causas de natureza diferente. Para ele, nem o domínio da
vontade humana, nem o da vontade divina existirão como causa
independente dos eventos naturais. Não há dúvida de que a
doutrina de um Deus pessoal que interfere nos eventos
naturais jamais poderia ser refratada, no sentido
verdadeiro, pela ciência, pois essa doutrina pode sempre
procurar refúgio nos campos em que o conhecimento científico
ainda não foi capaz de se firmar. Estou convencido, porém,
de que tal comportamento por parte dos representantes da
religião seria não só indigno como desastroso. Pois uma
doutrina que não é capaz de se sustentar à "plena luz", mas
apenas na escuridão, está fadada a perder sua influência
sobre a humanidade, com incalculável prejuízo para o
progresso humano. Em sua luta pelo bem ético, os professores
de religião precisam ter a envergadura para abrir mão da
doutrina de um Deus pessoal, isto é, renunciar a fonte de
medo e esperança que, no passado, concentrou um poder tão
amplo nas mãos dos sacerdotes. Em seu ofício, terão de se
valer daqueles forças que são capazes de cultivar o Bom, o
Verdadeiro e o Belo na própria humanidade. Trata-se, sem
dúvida, de uma tarefa mais difícil, mas incomparavelmente
mais valiosa. Quando tiverem realizado esse processo de
depuração, os professores da religião certamente hão de
reconhecer com alegria que a verdadeira religião ficou
enobrecida e mais profunda graças ao conhecimento
científico.
Se um dos objetivos da religião é libertar a humanidade,
tanto quanto possível, da servidão dos anseios, desejos e
temores egocêntricos, o raciocínio científico pode ajudar a
religião em mais um sentido. Embora seja verdade que a meta
da ciência é descobrir regras que permitam associar e prever
os fatos, essa não é sua única finalidade. Ela procura
também reduzir as conexões descobertas ao menor número
possível de elementos conceituais mutuamente independentes.
E nessa busca da unificação racional do múltiplo que a
ciência logra seus maiores êxitos, embora seja precisamente
essa tentativa que a faz correr os maiores riscos de se
tornar uma presa das ilusões. Mas todo aquele que
experimentou intensamente os avanços bem-sucedidos feitos
nesse domínio é movido por uma profunda reverência pela
racionalidade que se manifesta na existência. Através da
compreensão, ele conquista uma emancipação de amplas
conseqüências dos grilhões das esperanças e desejos
pessoais, atingindo assim uma atitude mental de humildade
perante a grandeza da razão que se encarna na existência e
que, em seus recônditos mais profundos, é inacessível ao
homem. Essa atitude, contudo, parece-me ser religiosa, no
mais elevado sentido da palavra. A meu ver, portanto, a
ciência não só purifica o impulso religioso do entulho de
seu antropomorfismo, como contribui para uma
'espiritualização' religiosa de nossa compreensão da vida.
Quanto mais avança a evolução espiritual da humanidade, mais
certo me parece que o caminho para a religiosidade genuína
não passa pelo medo da vida, nem pelo medo da morte, ou pela
fé cega, mas pelo esforço em busca do conhecimento racional.
Neste sentido, acredito que o sacerdote, se quiser fazer jus
a sua 'sublime' missão educacional, deve tornar-se um
professor.




"Ciência e Religião" (1939-1941) - Págs. 25
a 34. Einstein, Albert, 1870-1955 Título
original: "Out of my later years."
Escritos da Maturidade: artigos sobre
ciência, educação, relações sociais,
racismo, ciências sociais e religião.
Tradução de Maria Luiza X. de A. Borges -
Rio de Janeiro : Editora Nova Fronteira,
1994.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Gil Giardelli: Professor 5.0 e Davi Braga, o empreendedor de 13 anos

CONFERE AI...

A melhor apresentação sobre inovação que presenciei no EPICENTRO 2014 foi a do professor Gil Giardelli (vídeo), professor de cultural digital na ESPM e na FIA e estudioso de Robô Sapiens e inovação radical no MIT (Massachusetts Institute of Technology), que abordou diversos temas, como:

* Futuro híbrido;
* Destruição criativa;
* IA (Inteligência artificial);
* Sequenciamento de genoma; 
* 5ª computação;
* Bigdata;
* Carros movidos a água;
* Desemprego tecnológico;
* Impressões 3D de órgãos;
* Drones;
* Google Glass;
* Robô Sapiens;

O Epicentro aconteceu no final de setembro na cidade de Campos do Jordão/SP, o qual é um encontro de palestras incríveis dadas por pessoas que
realmente colocam a mão na massa para criar um mundo melhor, uma exposição de empresas Startups que são as futuras empresas de US$1 bilhão de dólares.

O evento cobriu todos os aspectos mais importantes que temos que ouvir para crescer, liderar e inovar nossas empresas e nossas vidas. Os temas: Inbound Marketing, Marketing Digital, Vendas & Internet, Ativismo, Negócios Sociais, Paixão, Causa e Propósito, Liderança de Mudanças, Inovação, Relacionamento com as Pessoas, Senso de Urgência, Coragem e Audácia, Filosofia, Resilência e muitos outros foram transmitidos.



Este é o Davi, menino de 13 anos empreendedor que ensina como ganhar dinheiro de maneiras muito simples. Ele se apresentou no EPICENTRO deste ano, junto com renomados ícones brasileiros do empreendedorismo e tecnologia. Confira ai o pensamento do garoto:





terça-feira, 25 de novembro de 2014

Filme Interestelar!

Acabo de assistir o filme Interestelar...

Sinopse: Após ver a Terra consumindo boa parte de suas reservas naturais, um grupo de astronautas recebe a missão de verificar possíveis planetas para receberem a população mundial, possibilitando a continuação da espécie. Cooper (Matthew McConaughey) é chamado para liderar o grupo e aceita a missão sabendo que pode nunca mais ver os filhos. Ao lado de Brand (Anne Hathaway), Jenkins (Marlon Sanders) e Doyle (Wes Bentley), ele seguirá em busca de uma nova casa. Com o passar dos anos, sua filha Murph (Mackenzie Foy e Jessica Chastain) investirá numa própria jornada para também tentar salvar a população do planeta.

Link aqui: http://megafilmeshd.net/interestelar/



Para entender o filme, é possível que você necessite ter uma base sobre ciência. Mais precisamente algumas teorias de Albert Einstein e Stephen Hawking. Ter uma ideia sobre buracos negros, gravidade no espaço, tempo-espaço, ter uma ligeira ideia sobre o tamanho do universo e o que é necessário ter um planeta para que seja possível existir vida.

Sinceramente, achei o filme ótimo. Apesar de haver várias questões que viajam (assim como descreve Neil DeGrasse), acredito que filmes dessa natureza sejam ótimos para despertar o interesse das pessoas sobre ciência, universo e refletir sobre o certo futuro da humanidade que é explorar outros planetas.

O motivo que me levou a assistir o filme, foi que estava lendo um blog que explica o filme Interestelar, porém, é claro, eu deveria assistir o filme primeiro. Então por curiosidade de entender o gráfico feito por um designer da Turquia, assisti o filme. Confira a explicação:

Interestelar explicado em uma simples linha do tempo [cuidado, contém spoilers!]


Se você assistiu a Interestelar e não entendeu direito a dilatação do tempo e as complexidades dos loops, a linha do tempo a seguir –enviada por Dogan Can Gundogdu, um designer de Istambul, Turquia– explica tudo de maneira bem clara.


Para visualizarem melhor, acessem o post: http://gizmodo.uol.com.br/interestelar-explicado-em-uma-simples-linha-do-tempo-cuidado-contem-spoilers/

E, continuando minhas pesquisas, encontrei o que Neil DeGresse fala sobre o filme:

Neil deGrasse Tyson explica a base científica de Interestelar (e lista 9 mistérios do filme)



O astrofísico Neil deGrasse Tyson – que você conhece por causa deste meme epela minissérie Cosmos – não gostou de alguns detalhes em Interestelar, mas sabe como ninguém que a trama do filme é inspirada na ciência. Neste vídeo, ele explica a física que torna tudo isso possível.



Tradução:


Em Interestelar, Matthew McConaughey interage com a linha do tempo dele. A premissa é: você entra em um buraco negro e tem acesso a dimensões superiores.
Na vida real, nós temos três dimensões com as quais estamos familiarizados. Em Nova York, seria em qual cruzamento de rua e avenida, e em qual andar você vai encontrar alguém em um edifício. Você teria três coordenadas.
Mas se você acertasse de encontrar alguém, você não marcaria um horário sem combinar um lugar; nem você combinaria um lugar sem marcar um horário. Então as coordenadas reais para encontrar alguém requerem quatro números: três coordenadas de espaço, e uma coordenada de tempo.
Você nunca diria a um amigo, “nos encontramos amanhã às 8 horas”. Onde?! “Encontro você na esquina da 33rd e 3rd”. Quando?!
Nós sabemos, intuitivamente, que precisamos de coordenadas de espaço e tempo juntas, para fazer a vida transcorrer de uma forma que faça sentido. Então a ideia de que vivemos em quatro dimensões não deveria ser surpreendente para as pessoas. Nós tomamos isso como dado, na verdade.
Mas a diferença é que não somos prisioneiros do nosso espaço tridimensional. Eu posso andar para a esquerda ou direita, posso pular para cima ou para baixo, posso andar para frente ou para trás, e eu posso repetir o movimento. Eu posso acessar cada ponto do meu espaço tridimensional.
Mas eu sou um prisioneiro do tempo presente… sempre transitando do passado para o futuro. Não tenho acesso ao passado. Não tenho acesso ao futuro. No entanto, se você for para uma dimensão mais alta, não é irrealista pensar que você sai da dimensão temporal e olha para o tempo como nós olhamos para o espaço.
Perguntas que dizemos no dia a dia não fazem sentido em coordenadas elevadas. Você não pergunta “quando eu nasci?”, porque você sempre está nascendo. “Quando eu fui para a faculdade?” Você está sempre indo para a faculdade. “Quando eu morri?” Você sempre está morrendo.
Se você tem uma linha do tempo à sua frente, então você tem acesso a ela: você pode entrar em qualquer momento, viver de novo… Não sabemos se você pode interferir em eventos que já aconteceram.
Se sua linha do tempo já está lá, o que significa pular para dentro dela e mudar algo se ela já está lá? São perguntas fascinantes que dão um ótimo material para ficção científica. E não sabemos o que há dentro de um buraco negro, então pode usar isso à vontade.
E eis os nove “mistérios” de Interestelarque ele listou no Twitter :
1. Se é possível atravessar o espaço-tempo através de um tesseract (ou hipercubo) e tocar em livros, porque ele simplesmente não escreveu um recado e o enviou através do tesseract?
2. Há muito mais estrelas do que buracos negros no universo. Por que o melhor planeta semelhante à Terra orbita um buraco negro?
3. Quem no universo saberia os títulos de todos os seus livros, por trás, em uma estante?
4. Como uma caminhonete pode dirigir com um pneu furado entre talos de milho densamente plantados e mais altos do que ele?
5. Se existem buracos de minhoca entre nossos planetas, então por que não um abrir perto da Terra, em vez de Saturno?
6. Olha, Marte (aqui do lado) parece beeem mais seguro do que os novos planetas para onde eles viajaram.
7. Se o seu capacete espacial racha e você ainda continua lutando, o ar do planeta não pode ser tão ruim para você.
8. Não consigo imaginar um futuro no qual escapar da Terra via buraco de minhoca é um plano melhor do que apenas consertar a Terra.
9. Neste futuro irreal, eles ensinam coisas não-científicas nas aulas de ciências. Oh, espere. Isso acontece no mundo real, sim.


Mais uma vez, digo que gostei muito do filme e que mais produções sobre ciência devem ser realizadas!

terça-feira, 28 de outubro de 2014

5 incríveis civilizações antigas que desapareceram

Ao longo da história da humanidade, diversas civilizações surgiram, tiveram seu apogeu e acabaram enfim desaparecendo ou sendo assimiladas por outros povos.

Algumas dessas civilizações deixaram legados importantes e outras tiveram um desaparecimento misterioso difícil de ser explicado até hoje. Confira aqui algumas dessas civilizações antigas que deixaram parte de sua história para trás. 

1 – Os Olmecas

Os olmecas foram uma das primeiras sociedades da cultura pré-colombiana na Mesoamérica. Especula-se que ela tenha sido a civilização-mãe de outras culturas da mesma região, como os maias e os astecas. 

Sua cultura floresceu entre 1.500 e 400 a.C, mas muito ainda permanece um mistério sobre os olmecas. Desconhece-se sua filiação étnica e nem o que deu origem aos seus traços culturais e seus conhecimentos na construção de pirâmides, monumentos de pedra e esculturas. 

Ninguém sabe ao certo também o motivo que fez com que a civilização começasse a desaparecer a partir de 400 a.C. Alguns estudiosos acreditam que possa ter ocorrido uma invasão, enquanto outros acreditam que mudanças ambientais foram o fator determinante. 

Muitas das informações sobre os olmecas são apenas especulações. Eles podem ter sido os inventores do número zero, proeza muitas vezes creditada aos maias, e também do jogo de pelota mesoamericano, conhecido como pitz pelo maias. Eles podem ter sido também a primeira civilização ocidental a criar uma sistema de escrita.
Créditos: jejim / Thinkstock


2 – Os maias

A civilização maia provavelmente incorporou muito da tradição e cultura dos olmecas. Outra coisa que eles tem em comum é o mistério em torno do seu declínio.

A civilização maia atingiu seu ápice entre os anos de 250 e 950 d.C, no chamado Período Clássico. Pouco tempo depois, houve um rápido declínio, com centros urbanos abandonados e edifícios virando ruínas. 

Várias hipóteses tentam explicar esse súbito declínio, como guerras internas, invasões estrangeiras, surtos de doenças, mudanças climáticas e degradação ambiental. Apesar de uma combinação de todos esses fatores poder explicar o declínio maia, muito mistério ainda permanece.

Os maias de fato nunca desaparecerem totalmente, mesmo com a chegada dos espanhóis no século 16. Até hoje, milhões de maias ainda vivem nas regiões originais da civilização. Por outro lado, muitos deles se integraram à cultura local e muito da cultura original maia foi perdida com o tempo, incluindo o sistema de escrita.
Créditos: Larissa Pereira / Thinkstock

3 – Os nabateus

Os nabateus foram um povo ancestral dos árabes que habitaram a região norte da Arábia, o sul da Jordânia e Canaã. A capital dos nabateus era Petra, na Jordânia. Petra era uma cidade com comércio riquíssimo, em grande parte graças à sua localização, que era uma convergência de várias outras importantes rotas comerciais. 

Petra é uma cidade maravilhosa, esculpida ao lado de um penhasco, com construções incríveis e monumentos esculpidos em rochas. Aliás, ela é tão maravilhosa que foi considerada uma das novas 7 maravilhas do mundo, em um concurso realizado em Lisboa, em 2007. 

Infelizmente, depois de ser dominada pelo Império Romano, Petra enfrentou aos poucos seu declínio comercial. No ano 363, um forte terremoto destruiu grande parte da cidade, que perdeu definitivamente sua importância. Em 551, um segundo terremoto ainda mais grave destruiu a cidade quase por completo, deixando-a em ruínas.
Créditos: Milda79 / Thinkstock


4 - Os Rapanuis

Os rapanuis foram os habitantes da Ilha de Páscoa, responsáveis por criar as enormes esculturas de pedra chamadas moais. Mas a Ilha de Páscoa, bem como os rapanuis, são cercados de mistério. 

Não se sabe muito bem como a civilização chegou até ali e também como ela desapareceu. Sabe-se que os rapanuis eram de origem polinésia e chegaram à ilha entre 300 e 1.200 d.C. Os rapanuis possivelmente também tiveram contato com a América do Sul, introduzindo o cultivo de plantas como a batata doce, nativa da Ilha de Páscoa. 

Uma das hipóteses mais aceitas sobre o declínio dos rapanuis é que o aumento da população acelerado levaram a uma degradação ambiental. Com a ilha desmatada, as consequências foram guerras, fome e um colapso cultural. Se essa hipótese realmente estiver correta, esperamos que não seja um prenúncio do que poderá acontecer com a nossa.
Créditos: anharris / Thinkstock

5 – Império Khmer

Talvez você já tenha ouvido falar do Templo de Angkor Wat, no Camboja. Apesar de incrível, esse templo é apenas a ponta do iceberg em relação ao que representava o complexo urbano da civilização khmer. 

O império Khmer teve seu auge no século 9 e se tornou um dos mais poderosos do sudeste asiático. A cidade chegou a abrigar mais de 1 milhão de pessoas, o que talvez tenha sido a maior cidade do mundo em seu tempo. 

Ainda hoje, os pesquisadores não encontraram uma resposta definitiva sobre o que provocou o desaparecimento dos khmer. As hipóteses mais comuns ficam entre guerras travadas e desastres naturais, mas o mais provável é que tenha ocorrido uma combinação de fatores.
Créditos: Jejim / Thinkstock


Por Gabriel Tonobohn em http://discoverybrasil.uol.com.br/imagens/galleries/civilizacoes-que-desapareceram/

Um guia que vai te deixar por dentro do assunto energia

Energia renovável

A Energia renovável, também chamada Energia Verde ou Energia Limpa, é quentinha e confortável e todo mundo gosta de dar as mãos e cantar músicas sobre ela. Isso porque A) ela usa recursos que são essencialmente infinitos, como água, vento ou luz do sol, ou aqueles que podem ser repostos no tempo de vida humano, como a madeira, e B) causa pouco dano ao meio ambiente, relativamente falando.
Infelizmente, a energia renovável é uma pequena parte da equação e parece que continuará a ser assim por um longo tempo. O problema é que, comparando com outras fontes de energia, as renováveis são caras demais ou sua implementação é ineficiente, e os países simplesmente não querem diminuir sua produtividade atual e sua competitividade global por razões de longo prazo, especialmente quando os outros países não estão fazendo isso também (nós tentamos concordar em fazer isso juntos e não funcionou). O resultado final é que as energias renováveis originam apenas 19% da energia do mundo, e os tipos mais limpos e verdes somam somente 1% do consumo de energia mundial:
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Biomassa

A energia de biomassa é criada queimando organismos vivos ou mortos recentemente, ou transformando-os em combustível. Exemplos comuns incluem queimar madeira ou converter milho em etanol.
Quando as pessoas falam sobre energia limpa, dificilmente você vai ouvir as palavras biomassa e biocombustíveis. Isso porque eles são menos renováveis e menos limpos do que outras energias limpas. Mas se você vai incluir biomassa na categoria renovável, ela é a maior parte da energia renovável do mundo.
A má notícia é que, diferente de outros tipos de energia renovável, a biomassa e o biocombustível somam às emissões de dióxido de carbono, muitas vezes precisam de grandes espaços de solo e seus recursos não são infinitos como o sol, o vento e a água.

Energia hidráulica

A energia hidráulica é outra energia renovável relativamente proeminente, representando quase 4% da energia do mundo. Ela funciona aproveitando o poder da gravidade ao colocar uma barragem em frente a uma corrente ou queda d’água. Quando a água força seu caminho através da barragem, ela faz com que uma turbina rode, movimentando bobinas de fios de cobre entre ímãs; isso gera eletricidade, que é enviada por cabos para a rede elétrica. Esse processo de girar uma turbina para gerar energia é o coração da maior parte das usinas e a origem de quase toda eletricidade do mundo.

Vento

A energia eólica, que é usada somente para gerar eletricidade, produz cerca de 0,5% ou 1/200 da energia mundial. Um tipo de energia super limpo e inofensivo, a energia eólica está crescendo e já é bem importante em alguns lugares (a Dinamarca gera mais de um quarto de sua energia usando vento).

Solar

Ouvimos falar muito sobre energia solar, mas no momento ela é responsável por apenas 0,3% ou 1/300 do consumo de energia mundial (às vezes como eletricidade, às vezes com calor). Toneladas de pesquisas e inovações estão chegando à tecnologia solar e ela é o tipo de energia renovável que mais cresce no mundo.
Também é impressionante o quão pouco da superfície da Terra você precisaria cobrir com painéis solares para gerar energia para todo o mundo. Seria só isso aqui:
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Geotérmica

Usinas geotérmicas usam a força do vapor natural que emerge do centro quente da Terra para girar turbinas e gerar eletricidade (e, como a solar, a energia geotérmica é frequentemente transformada em calor, também). Hoje em dia, a energia geotérmica cobre apenas 0,2% ou 1/500 do consumo de energia do mundo.
Certo, acabamos a parte suave.

Energia Nuclear

A energia nuclear aproveita o imenso poder da fissão nuclear — o processo de quebrar átomos pesados, o que libera energia — para gerar eletricidade.
A energia nuclear é controversa. Alguns falam bem dela e até a incluem na categoria das energias renováveis, e discutem que ela é tanto sustentável como boa para o meio ambiente, pois reduz as emissões prejudiciais. Outros acham que essas pessoas são estúpidas e que, entre acidentes catastróficos, disposição de lixo prejudicial, altos custos e os crescentes riscos de proliferação nuclear e terrorismo, os efeitos do poderio nuclear deveriam ser considerados tão ruins quanto, ou até piores, que os efeitos da energia vinda de combustível fóssil.
O caso dos pessimistas ganhou força em 2011, quando um tsunami chocou-se contra o Japão e causou uma fusão na usina nuclear de Fukushima, resultando no mais danoso desastre nuclear desde a terrível fusão de Chernobyl em 1986. Depois do desastre de Fukushima, alguns países decidiram diminuir ou cortar toda sua produção de energia nuclear (Alemanha e Itália estão entre eles).
Embora esses desastres horríveis tenham tido um enorme preço e exposto totalmente o lado ruim da energia nuclear, ao longo do tempo a energia nuclear causou menos mortes por unidade de energia gerada do que qualquer outra fonte grande de energia (carvão, petróleo, gás natural ou hidroelétrica) e, uma vez que 1kg de urânio-235 pode gerar de duas a três milhões de vezes mais energia do que 1kg de carvão ou óleo, e sem somar para o nosso problema com CO2, parece que há uma razão convincente para continuar a explorar a energia nuclear.
Em 2011, a energia nuclear representava 2,9% do consumo de energia mundial, mas mais de 8% da energia dos EUA.
E agora, para os caras maus…

Combustíveis fósseis

Essa é uma das fontes de energia mais canalhas: a queima de combustíveis fósseis (carvão, óleo e gás natural) produz 78% da energia que é consumida no mundo (82% nos EUA).
Os combustíveis fósseis têm os créditos por permitir a revolução industrial, aumentando a qualidade de vida das massas ao fazer crescer a classe média, e por trazer o mundo para a modernidade. Mas eles também podem ser creditados por cerca de 90 catástrofes naturais, incluindo aquecimento global, chuva ácida, contaminação da água, derramamentos de óleo, mais câncer de pulmão, poluição, smog e por aquele urso polar daquele vídeo ficando super triste porque o gelo está derretendo.
A questão “O quão ruins são os efeitos de queimar combustíveis fósseis, o que isso significa para o futuro, o que devemos fazer sobre isso?” é um post inteiro, um post para outro hora. Por hoje, vamos ignorar isso tudo e só tentar entender o que os combustíveis fósseis são e de onde vêm.
A ideia básica por trás dos combustíveis fósseis é que carvão, petróleo e gás natural são remanescentes de organismos antiquíssimos (em sua maioria plantas cuja maior parte é do período Carbonífero, 300-360 milhões de anos atrás) que morreram e cuja energia foi parcialmente preservada antes delas se decomporem. Depois de muitos milhões de anos sendo esmagados sob intenso calor e pressão do interior da Terra, estes organismos e sua energia química estocada foram convertidos em combustíveis fósseis — e ainda estão embaixo da terra. Agora nós podemos agora minerá-los até a superfície e queimá-los, o que libera a energia conservada (e emite montes de CO2 no processo). A maior parte da eletricidade e do gás que usamos e quase toda a energia de nossos carros e aviões vêm de queimar combustíveis fósseis. As pessoas no ano 2300 vão olhar para o nosso tempo como a Era do Combustível Fóssil na história humana.
Vamos conferir os três grandes combustíveis fósseis:

Carvão mineral

Carvão, uma pedra preta sedimentada encontrada em camadas sob a terra, é usado quase totalmente para produzir eletricidade, e é o material mais prolífico para isso. Porque o carvão é abundante e relativamente barato, o mundo usa toneladas dele — mas ele é também o maior culpado pelas emissões de CO2, soltando cerca de 30% mais CO2 do que queimar petróleo e quase o dobro do gás natural para gerar uma quantidade equivalente de calor.
Os EUA são a Arábia Saudita do carvão, possuindo 22% do carvão do mundo e mais do que qualquer outro país. A China, porém, se tornou o maior consumidor de carvão — quase metade do carvão queimado no mundo em 2011 foi queimado na China.

Petróleo

Quando você ouvir pessoas falando sobre óleo enquanto combustível, elas estão falando de petróleo, também chamado de óleo bruto — um líquido preto pegajoso, normalmente encontrado em profundas reservas sob a terra. Quando o petróleo é extraído, ele vai para uma refinaria, onde é separado, usando diferentes pontos de ebulição, em alguns gases e combustíveis diferentes. O mais proeminente é a gasolina, mas inclui tudo: de combustível de avião e óleo diesel, óleo de motor, o propano que você usa na sua churrasqueira até a cera de vela. Na maior parte do mundo, o petróleo é usado como combustível para transporte, não para gerar eletricidade.
Os EUA são os maiores consumidores de petróleo, consumindo mais de 20% do petróleo do mundo. Os EUA também são um dos três maiores produtores de petróleo do mundo, junto com a Arábia Saudita e a Rússia, que produzem mais ou menos a mesma quantidade. Mas os EUA dificilmente têm as maiores reservas de petróleo; elas estão todas no Oriente Médio:
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Olhando para esse mapa, três coisas ficam claras:
1) Porque os príncipes sauditas têm palácios tão bacanas
2) Porque Saddam Hussein queria tanto roubar o Kuwait
3) Porque Dubai tem coisas como um ski resort entre quatro paredes, algumas centenas de ilhas artificiais e o maior prédio do mundo.
Somando tudo, o Oriente Médio tem mais de 60% das reservas de petróleo remanescentes no planeta.
Uma outra coisa interessante: quando eu olho para uma imagem dos campos de petróleo reais, me impressiona como eles são uma parte pequena da terra. Por exemplo, o Irã é quase totalmente estéril de óleo, mas aquelas pequenas reservas mais a oeste do país são suficientes para fazer do país o segundo mais rico em petróleo no mundo:
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Nós estamos falando sobre petróleo convencional, mas no Canadá e na Venezuela existem também grandes reservas de areias betuminosas, ou seja, pedras ou lodo que contém petróleo. A extração desse petróleo é cara e inconveniente, mas se/quando o petróleo normal começar a secar, o mundo provavelmente vai bicar dessas reservas extras.

Gás natural

O gás natural é essencialmente gás metano encontrado em bolsões sob a terra, ou às vezes incorporado no xisto. Este é o gás que acende o seu fogão e também uma das maiores fontes de eletricidade (produz cerca de 20% da eletricidade nos EUA). O gás natural vem crescendo e agora representa um quarto da energia do mundo.
Uma das razões pelas quais o gás natural está se popularizando é que os cientistas encontraram uma nova forma de extrair o gás da Terra, chamada de fraturamento hidráulico ou “fracking”, que usa uma mistura de água, areia e química para criar rachaduras no xisto, rico em gás natural, e forçar o gás para fora. Esse método tem sido muito efetivo, mas também é controverso por conta de algumas sérias preocupações ambientais — este vídeo explica isso bem.
Combustíveis fósseis contêm toda a história da Terra em restos enterrados de organismos, e ao contrário de fontes renováveis de energia, quando acabarem será para sempre.
Então, o quanto ainda resta?
De acordo com a Administração de Informação de Energia dos EUA, estas são as reservas dos três combustíveis fósseis:
Carvão: 905 bilhões de toneladas, que equivalem a 4.416 bilhões de barris (702.1 km3) do equivalente em petróleo
Petróleo: 3,740 bilhões de barris (595 km3), incluindo todo o petróleo extra na areia betuminosa do Canadá e da Venezuela
Gás natural: 181 trilhões de metros cúbicos, o que equivale a 1.161 bilhões de barris (184.6 km3) do equivalente em petróleo
Somando tudo isso, o volume de petróleo e dos equivalentes ao petróleo que ainda restam dos três combustíveis fósseis é de 1,481 km3. Isso faria um cubo com um lado de 11,3 km, capaz de cobrir a maior parte do Brooklyn, que conteria em si todo o combustível fóssil restante na Terra. Usando o mesmo método de comparar com petróleo, a cada ano, o consumo mundial de combustível fóssil formaria um cubo com um lado de 2,4 km, que caberia tranquilamente no centro de Manhattan.
O ponto chave é que aquele cubo de 11 km com o que nos sobrou de combustíveis fósseis irá durar apenas uns 80 anos, se no futuro nós usarmos o mesmo tanto que usamos hoje em dia. Emocionante.
Finalmente, aqui está um ótimo gráfico mostrando todas as fontes de energia que discutimos acima e seu uso nos EUA em 2012 (um “quad” é um quatrilhão BTU — o consumo anual nos EUA de 95.1 quads de energia representa pouco menos que um quinto do total mundial). É interessante ver o quanto da energia produzida é desperdiçada.
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[Imagem de destaque via]

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